O “retorno” de Sergio Moro: a volta de quem não foi
Natal, RN 18 de jun 2024

O “retorno” de Sergio Moro: a volta de quem não foi

11 de novembro de 2021
O “retorno” de Sergio Moro: a volta de quem não foi

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Moro, depois de servir e DEFENDER o Mandrião, para depois ser escorraçado do governo, refugiando-se numa empresa que ele mesmo julgou na época da Lava/Farsa Jato, voltou à cena, filiando-se ao Podemos, que faz parte da base do governo Bolsonaro e com sua desfaçatez conhecida, colocou sua personalidade pútrida a serviço da “terceira via”, uma tentativa da nossa elite rastaquera em substituir Bolsonaro, o Destruidor da Nação.

Moro, expressão máxima do justicialismo corrupto desse país, onde juízes e procuradores tomam posições e atuam, dentro do Judiciário, em prol da manutenção do status quo, inclusive garantindo benesses para suas castas, não surgiu do acaso. Moro, com sua paranoia moralista e sua ânsia pelo poder, exerceu sanha perseguidora antes mesmo da instalação da Lava/Farsa Jato, em 2014.

Em 23 de setembro de 2013, policiais da Polícia Federal, fortemente armados, invadiram uma pequena propriedade no interior do Paraná, em Irati, localizada na sudeste desse estado e com pouco mais de 60 mil habitantes, e prenderam o agricultor Gerson Luiz de Paula, que provavelmente você nunca ouviu falar.

Gerson, co-proprietário (junto com seu pai), plantava milho, feijão e hortaliças e foi acusado, junto com outros 12 agricultores, de desviar recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), vinculado ao Programa Fome Zero, e foram enfiados dentro um camburão e levados às celas, a mando do então Juiz Moro, que se vangloriou da ação.

A cooperativa, desmantelada na ocasião, Associação dos Grupos de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis, gerava uma renda anual de R$ 8 mil, equivalente a cerca de R$ 667 por mês, algo muito comum nas pequenas cooperativas da agricultura familiar.

As vidas desses agricultores, assim como sua cooperativa, foram totalmente destruídas e a inocência destes só veio a ser proferida em dezembro de 2016, mais de três anos depois, pela juíza Gabriela Hardt, aquela que era chamada de “russa” pelos lavajatistas e que condenou Lula copiando trechos da sentença do próprio Moro, que reconheceu não haver absolutamente nenhuma prova contra os agricultores. Tarde demais.

Moro, naquele momento, se preparava para ser alçado à condição de “herói nacional” e encenou a maior farsa jurídica já presenciada nesse país, cujo legado foi a destruição quase que completa da cadeia produtiva nacional e milhões de desempregados, além de “limpar o terreno” para a eleição de Bolsonaro, sendo a recompensa dada logo em seguida quando Moro enfiou-se no governo fascista como ministro da Justiça.

Moro é uma farsa, mas é uma farsa que nossa elite gosta. Suas limitações cognitivas são óbvias e ele representa a “geração concurseira” que ocupou o Judiciário para ser membro de uma casta cheia de privilégios e, nesse sentido, seu retorno, depois que essa casta chegou à conclusão, óbvia, de que o Mandrião trouxe o caos e a destruição do próprio capitalismo, o que não deixa de ser uma contradição.

Seu “retorno triunfante” tem a mesma marca de sempre. Filiou-se a um partido que já se chamou Partido Trabalhista Nacional (PTN) até 2016, quando, copiando a frase de Barack Obama “yes, we can” /” sim, nós podemos”, cuja estrela máxima é, vejam só, o paranaense Álvaro Dias. O Podemos faz, hoje, parte da base de sustentação do governo e vota sempre alinhado às posições econômicas do governo.

Moro voltou do jeito que foi, ou seja, representa a volta dos que não foram.

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