ENTREVISTA

“Não vamos aceitar a tarifa do circular da UFRN”, garantem estudantes que convocam novo ato para a sexta

A Secretaria de Mobilidade Urbana acabou com a gratuidade da linha 388, o circular da UFRN e instituiu a tarifa de R$ 3,20, sem qualquer aviso prévio. A medida revoltou a comunidade acadêmica e os estudantes sofreram repressão da Guarda Municipal durante o primeiro ato contra a arbitrariedade capitaneada pelo prefeito Álvaro Dias (PSDB) em acordo com os empresários do setor.

Spray de pimenta foi jogado contra todos que estavam na porta da STTU no início da tarde desta quinta-feira (2), tiros de bala de borracha foram disparados e há relato de perseguição a um adolescente que filmava o momento.

Em entrevista ao Programa Balbúrdia desta quinta-feira (2), dois coordenadores do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFRN), Amanda Moura e Lorran Silva, reiteraram que não vão aceitar a tarifa e estão ampliando a luta em prol do transporte coletivo da cidade. A próxima manifestação será a partir das 14h30 da sexta-feira (3), na Praça Cívica, saindo em passeata até a Prefeitura de Natal.

Amanda Moura chamou todos a participarem do ato e aumentar as mobilizações em prol do transporte coletivo de Natal. “A gente não tá só lutando pela gratuidade, tá denunciando essa repressão e essa falta de transparência. A gente precisa acumular essa sede por justiça e por direitos. Ser estudante é acumular muito ataque, ainda mais nessa pandemia. Então que a gente acumule também a indignação e coloque na rua”, conclamou.

“No início desse ano já foi cobrado, inclusive judicialmente, que as empresas voltem com 100% da frota. Mas são donos de empresas, pessoas ricas, milionários. A Justiça, no fim das contas, não chega pra essas pessoas. A decisão não foi cumprida. A frota não voltou em sua integralidade e o circular, fazendo parte dessa frota, também não voltou. Acabou voltando somente ontem [1º de dezembro] só que pra nossa surpresa, está sendo cobrada uma taxa”, completou Lorran, ressaltando a surpresa e a falta de diálogo.

Em coletiva de imprensa, a titular da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), Daliana Bandeira, disse que, por causa da pandemia, as empresas estão reclamando de prejuízos e “alguém tem que pagar a conta”. Segundo ela, tentou fazer com que a universidade custeasse o transporte. De acordo com os estudantes, a UFRN silencia diante do questionamento e é notório que não há recursos disponíveis para isso, diante dos cortes promovidos pelo governo Bolsonaro. “A UFRN está sem condições de reformar um banheiro”, apontou Lorran.

Confira entrevista completa:

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais