OPINIÃO

Segura na mão de Lula e vai…

No apagar das luzes de 2021 coube à última pesquisa eleitoral do ano, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Sensatus em parceria com a Band Natal, clarear um pouco a névoa que paira na corrida pela única vaga em disputa no Senado no próximo ano.

Ainda que não dê para cravar esse ou aquele candidato como favorito faltando 10 meses para as eleições, já é possível ver como são frágeis certas “verdades absolutas” da política potiguar.

A primeira delas está no seio do bolsonarismo local.

Como os ministros Fábio Faria (PSD) e Rogério Marinho (sem partido) controlam – com dinheiro – a maioria dos veículos de mídia na internet do Estado, durante os últimos meses criou-se a falsa impressão de que o futuro senador da República seria um dos dois ministros de Bolsonaro. Ou o mais risível: que o futuro senador eleito pelo Rio Grande do Norte seria quem o presidente escolhesse.

A tese bolsonarista, como já se sabe, não encontra respaldo nenhum na realidade.

A Sensatus joga por terra essa fantasia ao mostrar que quase 70% os eleitores potiguares não votaria em nenhum candidato ao Senado apoiado pelo atual presidente da República, que por sua vez é mal avaliado por 67% da população potiguar.

Independente de margem de erro, a pesquisa Sensatus/Band diz o óbvio: Bolsonaro é um péssimo cabo eleitoral na fotografia eleitoral de hoje e quem ousar pensar diferente disso vai se dar muito mal.

O ex-presidente Lula, por outro lado, reafirma a cada dia seu favoritismo no Estado potiguar, no restante do país e até entre eleitores mais conservadores, a exemplo das pesquisas que já apontam o petista à frente na preferência dos evangélicos.

Luís Inácio é atualmente um cabo eleitoral com forte potencial para se eleger e eleger aliados, do PT ou de outros partidos. Sobretudo na região Nordeste.

A única vaga em disputa em 2022 no Senado é ocupada hoje por Jean Paul Prates, o candidato natural do PT à reeleição no Rio Grande do Norte. Em política, porém, candidato natural pode ser tudo, mas pode ser nada também.

O fato é que mais de 60% dos potiguares disseram que votariam ou poderiam votar num candidato ao Senado como Jean Paul, desde que apoiado pelo petista.

Não bastasse Luís Inácio livre, leve e solto, Fátima Bezerra é outra força eleitoral que já comprovou ser capaz de puxar votos e eleger parceiros. Não é por acaso que a oposição procura há três anos alguém capaz de enfrentar a atual governadora e não encontra.

Nunca é demais lembrar que, mesmo com Lula preso e condenado injustamente, Fátima foi a primeira governadora eleita a ultrapassar mais de 1 milhão de votos no Rio Grande do Norte e ajudou a eleger uma senadora da República – Zenaide Maia – que vinha de um único mandato como deputada federal e com base limitada à região do Seridó e a dois municípios da Grande Natal.

É cedo para afirmar o que as articulações do PT nacional para fortalecer a eleição de Lula – prioridade 1 – e a reeleição de Fátima – prioridade 2 – farão de estrago nos arranjos e nas composições da chapa majoritária do Rio Grande do Norte.

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves e o ex-senador Garibaldi Alves são nomes fortes, aparecem bem nas pesquisas para o Senado e, a depender das coligações lá em cima, podem mudar o tabuleiro político local.

Analisando as pesquisas e espanando a poeira de 2021 restam duas verdades na fotografia eleitoral de hoje: a primeira é que a disputa pelo coração de pedra de Jair Bolsonaro pode levar Fábio Faria ou Rogério Marinho para a forca. A outra é um recado direto dos eleitores para Jean Paul: segura na mão de Lula e vai…

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"