OPINIÃO

​​O suicídio social e profissional dos não-vacinados​​

Se há dois anos alguém nos dissesse que viveríamos uma pandemia, que em meio a ela a ciência conseguiria em tempo recorde uma vacina para a doença, mas que parte da população se recusa a ser vacinada, ninguém acreditaria! Soaria como uma distopia cinematográfica ou uma ficção científica de Isaac Asimov ou Ray Bradbury.

Pois é essa situação que estamos vivendo. Com nuances, agravantes e dados. Hoje se sabe, por exemplo, que das pessoas internadas e/ou que vêm a óbito com Covid nos hospitais dos EUA e Brasil entre 90% e 95% são não-vacinados. Ou seja, pessoas que tiveram e têm a chance de tomar vacina mas que decidiram não fazê-lo e ao contrair a doença acabam ocupando leitos de hospitais e colaborando para, mais uma vez, sobrecarregar o sistema de saúde.

Mas há uma outra situação que os contrários à vacina terão de enfrentar: restrições sociais e/ou profissionais. No Rio Grande de Norte, o Governo já sinalizou que vai cobrar o passaporte vacinal em órgãos públicos, bares, restaurantes e equipamentos culturais. São Paulo já havia tomado essa decisão. Aos poucos, Estados e Municípios vão fazê-lo, em efeito dominó. Vai fazer parte da vida de cada um de nós andar com a carteira de vacinação ou o passaporte confirmando pelo menos duas doses de vacina, seja em papel, seja no celular.

Como a maioria da população acredita na vacina e quer se vacinar, esse grupo de pessoas que engoliu teorias conspiratórias de You Tube e mantém a pauta anti-ciência e negacionista da Extrema Direita vai acabar virando “pária”. Terão dificuldades em assistir um filme no cinema, pegar um avião ou entrar em um restaurante.

Na verdade isso já está acontecendo. Acompanhamos há pouco a novela vivida pelo tenista sérvio Novak Djokovic, número 1 do mundo, que por não estar vacinado teve o visto negado para entrar na Austrália e disputar o aberto de tênis do país. A decisão do Governo do país foi apoiada pela opinião pública, cerca de 80% dos australianos queriam a deportação do atleta.

Djokovic não terá vida fácil. Em maio acontece outro dos torneios do Grand Slam (os 4 principais do Mundo), o Roland Garros, na França. País que justamente endureceu as regras de vacinação e restrições para não vacinados. E a ministra dos Esportes do país já indicou que, mantidas as regras, sem se vacinar Djokovic não entra na França.

Estamos falando de um atleta de ponta e dos mais bem pagos do Mundo. Que se não ceder ficará como exercer sua atividade. Portanto, com essas regras, o Zé que divide no cartão viagem pela CVC para os EUA ou Europa acha mesmo que conseguirá entrar em bares, restaurantes, pontos turísticos?

Na verdade, algumas empresas já estão exigindo a vacinação dos funcionários. Parece bem claro: Quem gostaria de ter um empregado que, se pegar um vírus, tem quase 20 vezes mais chances de ser hospitalizado e de morrer do que os outros empregados que tomaram a vacina? O direito que a criatura tem de não tomar a vacina é o mesmo direito que o patrão tem de não querê-lo sem vacina na empresa.

Ninguém pode obrigar outras pessoas a tomar vacina. Não se pode arrastar uma criatura até o posto e vaciná-la contra sua vontade. Mas, a vacinação é um pacto coletivo para imunização, da mesma forma que o pagamento de impostos é uma regra financeira (e quem não paga sofre sanções) e que o uso do cinto de segurança é um pacto coletivo que virou lei de trânsito, que, da mesma maneira, acarreta punição.

Estamos vendo que não-vacinados serão punidos com restrição de vida social e profissional. Uma pena ter que ser assim. Mas, que seja. Uma pena também ​que em um país com tradição de vacinação em massa e erradicação de diversas doenças, o próprio desgoverno federal seja o vetor de negacionismo e não-vacinação, com um despresidente trabalhando diariamente contra as vacinas. Mas a vacina contra este desgoverno também já existe e poderá ser usada em massa em outubro deste ano. ​

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