DEMOCRACIA

“Se a gente não trouxer para o palanque do Lula e do PT quem foi contra nós, não vamos ter maioria para ganhar as eleições”, afirma Mineiro

Pré-candidato a deputado federal em 2022 e uma das lideranças históricas do PT no Rio Grande do Norte, Fernando Mineiro não fica em cima do muro quando questionado sobre as movimentações realizadas pelo ex-presidente Lula para atrair quem até há pouco tempo foi reconhecidamente adversário político, a exemplo do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, derrotado por Lula no 2º turno da eleição presidencial de 2006.

Em entrevista ao programa 12 em ponto, da 98 FM, Mineiro destacou que “nenhum partido no Brasil tem maioria para ganhar as eleições”, o que, na visão dele, obriga o PT a procurar ampliar as alianças para ganhar as eleições e, principalmente, governar.

– Precisamos construir uma ampla aliança nacional para o Brasil voltar a ser um país que nos dê orgulho e que que não nos envergonhe internamente nem externamente. E acho fundamental os movimentos que o Lula faz e que os estados rebaterão lá na frente”, pontuou.

No Rio Grande do Norte, há conversas, sem qualquer definição ainda, que apontam para uma possível aliança do PT com o MDB na chapa majoritária que terá Fátima Bezerra disputando a reeleição. O diálogo entre os partidos foi confirmado pelo ex-senador Garibaldi Alves Filho.

Sem citar nomes, Mineiro disse ainda que “tem muita gente de salto em relação às eleições de 2022”. E quando questionado pelos entrevistadores se, entre os possíveis novos aliados, estariam até quem apoiou o impeachment contra Dilma Rousseff , o ex-deputado estadual disse que sim:

– Sou favorável a isso (compor com quem apoiou o golpe), mas em cima de um programa mínimo. Há que ter mudanças da nossa parte e mudanças de quem teve outra posição. Se a gente não ganhar os eleitores que votaram no Bolsonaro não vamos ganhar as eleições”, disse.

Durante a entrevista, Mineiro contou uma conversa que teve com o ex-presidente Lula no início de 2002, portanto antes da eleição que levou o petista ao Palácio do Planalto. Indagado se já tinha decidido sobre a 5ª candidatura à presidência, Lula disse que ainda não havia tomado a decisão porque ainda avaliava se o PT teria condições de ampliar o palanque:

– E em abril ele apareceu com o José Alencar. Então a gente precisa definir isso. E para mim está valendo para agora também. O PT tem 28% de preferência nacional, mas o Lula não tem maioria sozinho. Eu sou do bloco que acha que a eleição vai ser muito dura. E precisamos ter uma nova maioria não só pra ganhar as eleições, mas para governar”, afirmou.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"