“A disseminação de fake news é sempre usada para destruir a democracia”, afirma advogado e ex-juiz eleitoral
Natal, RN 24 de jun 2024

"A disseminação de fake news é sempre usada para destruir a democracia", afirma advogado e ex-juiz eleitoral

22 de fevereiro de 2022
3min

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O advogado e ex-juiz eleitoral Wlademir Capistrano acredita que a disseminação de notícias falsas tem impacto direto na sociedade e na própria democracia. Ele concedeu entrevista desta terça-feira, 22, ao Balbúrdia, programa no Youtube da Agência Saiba Mais. Capistrano falou sobre as “As Fake News nas Eleições de 2022”.

“Atualmente o Poder Judiciário, sobretudo o eleitoral, tem uma preocupação, sim, de combater as ´fake news`, notícias falsas que são disseminadas, pois compreendem o dano que elas podem causar”, afirma Wladimir, que complementou:

“Então, existe essa compreensão, o que me parece que falta, no STF, por exemplo, é ação. O presidente do TSE até ontem, ministro Luís Barroso teve uma presença constante na mídia com o discurso de combate à desinformação, realizou um trabalho pedagógico, mas sua atuação foi mais retórica do que propriamente concreta. E o presidente do Tribunal até agosto, ministro Edson Fachin, com seu jeito catedrático, também já avisou que vai criticar as fake news, mas talvez sem atitudes concretas”, assinalou.

O ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte se disse esperançosa em relação à gestão do ministro Alexandre de Moraes, que estará à frente do TSE durante as eleições:

“A chegada do ministro Alexandre de Moraes em agosto para presidir o TSE nos dá esperança, mais do que crença, que a disseminação de fake News será efetivamente combatida pelo tribunal. Moraes tem atuação mais ligada à operacionalidade do que Barroso e Fachin. Moraes foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública de São Paulo e ministro da Justiça”, lembrou Wlademir.

Indagado sobre o efeito das notícias falsas na sociedade, Wlademir apontou que “as fake news tiram o eleitor da realidade, o primeiro dano que causam é impossibilitar que o eleitor tome sua decisão com base em verdades, portanto, o eleitor cria sua convicção para votar a partir de fatos que não existem, de mentiras completas. E trabalhando em cima de uma realidade que não existe, acaba elegendo figuras como Bolsonaro, aqui no Brasil, e Donald Trump, nos Estados Unidos, por exemplo. Basta lembrar que mentiras sobre o então candidato a presidente Fernando Haddad, como aquele absurdo que ele iria distribuir mamadeiras de piroca em escolas, e sobre os governos Lula e Dilma jogados massivamente e principalmente em listas e grupos de Whatsapp, somados à onde antipetista, decidiram a eleição”, explica, antes de finalizar:

“Então, a partir de mentiras em relação a candidatos e políticos e tentando fragilizar uma instituição democrática como o STF, e por extensão, todo o sistema judiciário, para além do processo eleitoral, a disseminação de fake news visa atingir os fundamentos da Democracia, com o questionamento da credibilidade das instituições e das pessoas que fazem parte delas. A disseminação de fake news nunca é usada para fortalecer valores democráticos, ela é sempre usada para destruir a democracia", analisa o advogado.

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