TRANSPARÊNCIA

Castramóveis estão parados no Centro de Controle de Zoonoses de Natal sem realizar sequer atendimento fixo

Os dois castramóveis que deveriam rodar pela cidade fazendo vacinação e a castração de animais de rua estão parados na sede do Centro de Controle de Zoonoses de Natal (CCZ). A denúncia foi feita pela cuidadora de animais Tati Ribeiro, que apesar de ter ido até o local na última sexta (18), não conseguiu informações nem mesmo sobre os serviços disponíveis no local.

Os castramóveis não estão sendo usados como unidades móveis, nem fixa! Estão servindo de recepção pra quem chega lá [no CCZ]. Disseram que o administrador e o veterinário estavam em uma reunião e a pessoa da recepção não sabia dizer nem quais serviços estavam funcionando! O vigilante é que comentou que achava que estava sendo feita a vacinação contra a raiva e os testes de calazar tinham que ser marcados para fazer em casa. Mas, já recebi relatos de pessoas que tentaram agendar o exame e enfrentaram uma verdadeira batalha”, critica Tati Ribeiro, diretora Ong Amor Por Toda Vida, que atua na doação de coleiras para prevenir o calazar (doença como é mais conhecida a Leishmaniose), castração e eventos para incentivar a adoção de animais.

Apesar dos R$ 420 mil destinados para a compra dos dois veículos, adquiridos em 2016 através de emenda do então vereador da Câmara Municipal de Natal, Sandro Pimentel (Psol), ao Orçamento Anual, a prefeitura de Natal sempre demonstrou dificuldade em colocar os castramóveis em circulação. Os veículos chegaram a passar um ano parados, sem maiores explicações e as poucas vezes nas quais foram utilizados em mutirões, as medicações necessárias para realizar as castrações dos animais foram custeados com o dinheiro do próprio Sandro.

Manifestantes fizeram protesto depois de um ano de castramóveis parados em 2017 I Foto: reprodução

Os mutirões de castração que foram realizados só aconteceram porque eu tirei dinheiro do meu bolso para comprar as medicações e os anestésicos, não foi de verba pública! A prefeitura entrava só com os insumos e com a mão de obra, apesar de que, muitas vezes, eu também fornecia o veterinário do nosso programa. Até que chegou um certo momento em que eu disse, eu não vou mais fazer isso porque não faz sentido! A prefeitura tem que entrar com o básico, que é a medicação e os anestésicos. Aí, simplesmente, parou tudo!”, lamenta Sandro Pimentel.

Os castramóveis são equipamentos itinerantes com serviços veterinários voltados, principalmente, para a castração e vacinação de cães e gatos para evitar o aumento da população de animais de rua. Em 2017, servidores do município e voluntários chegaram a passar por um treinamento para colocar as duas unidades em funcionamento.

Imagens do protesto depois de um ano de castramóveis parados em 2017 I Foto: reprodução

O CCZ precisa ter controle das doenças e dos animais. Fazer as castrações significa saúde pública! Quanto mais animais sem castração, maior é o número de animais de rua. Cada gato, por exemplo, pode reproduzir dezenas de gatinhos em um ano. Além disso, é importante lembrar que o calazar também é transmitido para humanos. É como o mosquito da dengue, ele pica o animal doente, pica o humano e transmite a doença. Assim, se não há testes, como farão o controle? São pessoas que podem adoecer e morrer! Animais têm sido sacrificados, justamente, por causa da doença! Não é uma questão de tratar só o pet, mas de termos controle das doenças, uma questão com a qual a prefeitura parece não estar preocupada”, provoca Tati Ribeiro.

A agência Saiba Mais tentou entrar em contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS), responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses, mas nossas mensagens não foram respondidas, nem nossa ligação foi atendida.

Imagens dos castramóveis no CCZ de Natal
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