EXCLUSIVO: Jean Paul quebra silêncio sobre eleição para o Senado: “O jogo está aberto e quem vai anunciar algo definitivo é Fátima Bezerra”
Natal, RN 23 de jun 2024

EXCLUSIVO: Jean Paul quebra silêncio sobre eleição para o Senado: “O jogo está aberto e quem vai anunciar algo definitivo é Fátima Bezerra”

17 de fevereiro de 2022
11min
EXCLUSIVO: Jean Paul quebra silêncio sobre eleição para o Senado: “O jogo está aberto e quem vai anunciar algo definitivo é Fátima Bezerra”

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O senador da República Jean Paul Prates (PT/RN) vinha evitando se pronunciar sobre as eleições de 2022 desde o dia 2 de fevereiro, quando soltou uma nota oficial criticando a possibilidade do PT fechar aliança com "um candidato que irá nos trair em breve", diz o trecho final do comunicado.

O parlamentar nem precisou dizer o nome do alvo. Para quem acompanha o cenário político, estava claro que o texto duro era um recado direto para Carlos Eduardo Alves (PDT), derrotado no 2º turno por Fátima Bezerra, na eleição para o Governo do Estado.

Não por acaso, três depois, em entrevista à imprensa local, o ex-prefeito de Natal revelou que estavam adiantadas as conversas com o PT para que fosse ele o candidato ao Senado na aliança. Apesar das costuras e conversas de bastidores confirmadas pelo chefe da Casa Civil Raimundo Alves, ninguém ainda confirmou que a chapa está fechada.

Nesta entrevista exclusiva à agência Saiba Mais, o senador Jean Paul mostra que está vivo e em busca de espaço e apoio no PT para tentar viabilizar a própria candidatura à reeleição em outubro de 2022:

Confira a entrevista:

Agência Saiba Mais: Senador, como o senhor tem acompanhado as movimentações sobre a formação da chapa majoritária que o PT pretende apresentar à sociedade para reeleger Fátima governadora ?

Jean Paul Prates: Neste momento estou muito empenhado na tarefa de aprovar os projetos que podem dar um pouco mais de tranquilidade a milhões de brasileiros e ajudar a frear a inflação descontrolada que Paulo Guedes se recusa a administrar. Baixar os preços do gás de cozinha, diesel e gasolina não é tarefa fácil. Nós temos a solução, mas isso tem nos absorvido em conversas e negociações constantes com os líderes partidários e com os presidentes do Senado e da Câmara.

Mesmo assim, volta e meia, vejo pronunciamentos de algumas pessoas externando suas posições e suas teses a respeito das eleições que se aproximam. Essas falas são legítimas, mas às vezes a imprensa dá importância demais a quem não tem autoridade nem delegação para falar sobre o tema. Temos tempo para decidir sobre isso e quem vai anunciar algo definitivo é Fátima Bezerra. As negociações estão sendo conduzidas pela governadora desde sempre e, recentemente, o PT editou resolução ratificando a autoridade dela nesse processo e definindo que as articulações serão feitas em conjunto com a Diretoria Executiva Estadual. O resto é só palpite e opinião e muitas vezes cheios de interesses por detrás!

O chefe da Casa Civil Raimundo Alves declarou ontem a uma rádio local que Fátima e ele querem Carlos Eduardo como candidato ao Senado na chapa do PT. O senhor já sentiu isso, de forma definitiva, por parte da governadora ? Como o senhor recebeu essa notícia, já que o mandato hoje é ocupado por você?

A opinião de Raimundo Alves é muito importante no processo, mas como já disse é apenas uma opinião. Tenho a certeza de que vai ser considerada por Fátima e pelo PT, como muitas outras que estão sendo colocadas ao longo desse processo. Há uma resolução do PT sobre isso e que confere legitimidade às pessoas certas para essas discussões. A negociação de uma chapa como essa é complexa e ela só é fechada no último minuto possível, visto que é necessário se considerar mais do que opiniões ou intuições. Pesquisas, o reposicionamento de adversários e de potenciais aliados, as reações do mundo político e do próprio partido - tudo isso deve ser observado. Porque, em política, a gente tem que estar preparado para fazer essa leitura o tempo todo, e não se guiar apenas por vontades. Você me pergunta sobre uma posição definitiva de Fátima a respeito disso e eu respondo de forma clara e direta: isso não existe. O jogo está aberto e temos Fátima aqui no Rio Grande do Norte liderando esse processo, como Lula está fazendo de forma muito competente em todo o Brasil.

"Você me pergunta sobre uma posição definitiva de Fátima a respeito disso e eu respondo de forma clara e direta: isso não existe".

A nota que o senhor divulgou há duas semanas criticando uma eventual aliança do PT com Carlos Eduardo para o Senado não foi bem digerida pelo setor majoritário do Partido. Alguns dias depois, inclusive, a Executiva divulgou uma nota oficializando o comando da sucessão à própria governadora. A informação que temos é que essa nota é fruto também daquele seu desabafo. O senhor acredita que exagerou no tom ou mantém aquelas críticas ?

Não tenho conhecimento de que esta nota tenha causado algum mal estar no partido. Essa nota que soltei algumas semanas atrás foi interpretada por alguns setores como um desabafo ou uma reação a uma possível indicação de Carlos Eduardo para concorrer ao Senado numa chapa liderada por Fátima. Na verdade, eu estava sendo muito cobrado pela imprensa a falar sobre o tema e estava com pouco tempo para isso, porque já estava muito envolvido com os projetos dos combustíveis de que já falei aqui. Mas ela não tem nada de extraordinário, e diz exatamente o que se confirmou depois: não há nomes definidos na chapa majoritária, mesmo que alguns setores - e até o próprio Carlos Eduardo - queiram fazer parecer que isso já aconteceu. Em política, quem tenta atropelar a realidade e impor suas opiniões e vontades, normalmente, não se dá muito bem. Após a nota e, deixo claro, não por causa dela, a executiva do PT delegou a Fátima a liderança deste processo e é assim que deve ser.

"Em política, quem tenta atropelar a realidade e impor suas opiniões e vontades, normalmente, não se dá muito bem".

Algumas simulações em pesquisas já divulgadas apontam que 60% dos entrevistados poderiam apoiar o senhor em caso de apoio explícito de Lula ao seu nome. Na sua avaliação, esse dado é suficiente para referendar seu nome como o candidato do PT ?

As pesquisas mostram realmente isso, e mostram também que o meu nome está muito bem colocado diante dos outros potenciais adversários mesmo quando Lula não entra no jogo. Fico muito feliz com isso porque demonstra que o trabalho que venho fazendo em Brasília pelos brasileiros e principalmente pelo Rio Grande do Norte tem dado bons resultados.

Se lá em Brasília sou o líder da minoria e reconhecido como bom articulador em virtude dos projetos que proponho ou tenho que relatar, aqui no Rio Grande do Norte estamos empenhados em captar investimentos como os que companhia norueguesa Scatec vai trazer para o estado, de R$ 1,7 bilhão para construir uma usina de energia solar fotovoltaica. Em paralelo a isso, vamos destinando mais de 100 milhões de reais em emendas em apenas dois orçamentos, beneficiando todos os 167 municípios e o Governo do Estado, em projetos que podem ser realmente positivos para as pessoas, como as Areninhas e as escolas solares.

O que sei é que meu trabalho está sendo bem avaliado pelo eleitor nos últimos 3 anos e tenho a certeza de que isso pode me reconduzir a Brasília ao final deste 4o ano. Esse é apenas um dado a mais para ser analisado na composição da chapa, mas tenho a certeza de que é um dos mais importantes.

"As pesquisas mostram realmente isso, e mostram também que o meu nome está muito bem colocado diante dos outros potenciais adversários mesmo quando Lula não entra no jogo".

Carlos Eduardo era o principal nome da Oposição, segundo as pesquisas, e também tem um importante capital eleitoral em Natal, onde o PT tem alta rejeição. Esses dois argumentos não seriam suficientes para credenciá-lo a candidato ao Senado na chapa do PT ?

Rejeição ao PT? Acho que é preciso considerar muito mais o que as pesquisas mostram de forma realmente inequívoca! O campeão da rejeição é Bolsonaro e tudo que ele representa: a crise econômica que trouxe desemprego e inflação, o desastre na condução da pandemia que deixou mais de 670 mil famílias brasileiras de luto, o total despreparo para gerir um país que entrou nesta aventura, insuflado por muitas lideranças oportunistas, e se arrependeu da decisão que tomou nas urnas em 2018. O PT traz uma mensagem de esperança e de responsabilidade na gestão muito bem representada na figura de Lula e de Fátima aqui no RN.

"O campeão da rejeição (em Natal) é Bolsonaro e tudo que ele representa".

Porque o PT deve manter seu nome como candidato à reeleição, e não o de outro candidato, como o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo?

O PT vai ter que decidir isso no momento mais adequado e vai fazer isso analisando de forma inteligente e de olho no futuro de todos os brasileiros. Não vou ser deselegante aqui com as pessoas com quem estou conversando sobre isso e colocar de público uma defesa de minha própria candidatura. Mas posso falar da importância de se ter um nome do Partido dos Trabalhadores na cadeira que representa o Rio Grande do Norte no Senado.

Ter um senador aliado de forma inequívoca ao Governo do Estado e ao presidente significa ter um advogado permanente das causas dos potiguares em Brasilia. Isso facilita a defesa de interesses e necessidades do governo do estado junto a Ministérios, embaixadas e mesmo em projetos que tramitam no Congresso Nacional. Além disso, o PT não pode abrir mão de uma enorme necessidade política a nível nacional que é a de aumentar ou ao menos preservar o número de representantes da sua bancada no Senado.

Tenho conversado muito com Lula e com a presidente Gleisi nos últimos dias e isso está claro para eles, e também se tornou para mim: num eventual governo Lula é fundamental que tenhamos uma bancada capaz de ajudar o presidente nesta travessia para um país melhor para todos e todas.

"Ter um senador aliado de forma inequívoca ao Governo do Estado e ao presidente significa ter um advogado permanente das causas dos potiguares em Brasilia".

Fátima lidera todas as pesquisas e a oposição tem encontrado enorme dificuldade para encontrar um adversário competitivo. Neste cenário, uma chapa puro-sangue teria viabilidade? Porquê?

Este é outro componente que precisa ser analisado. A oposição bolsonarista sabe da rejeição que tem junto ao eleitorado. Bolsonaro se arrisca a não passar sequer para o segundo turno e, aos poucos, os políticos que já estiveram próximos dele vão se afastando. Uns fazem isso mais rápido que outros, como a gente observa e o eleitor também percebe. Mas devo deixar claro uma coisa aqui que não é uma questão de chapa totalmente puro sangue ou não, mas de uma chapa que realmente represente o que o eleitor espera do Partido dos Trabalhadores aqui no Rio Grande do Norte.

O senhor teve um encontro com o ex-presidente Lula no final de semana. De que trataram? O senhor tem o apoio dele para concorrer à reeleição?

De fato, tenho tido muitos encontros com Lula nos últimos tempos e aprendo em todos eles um pouco mais sobre o Brasil, a alma dos brasileiros e, claro, sobre política. Lula é um mestre da política e sabe mover as peças no momento certo e da forma mais adequada. Não vou negar que o Rio Grande do Norte tenha sido assunto de nossas reuniões. É claro que conversamos sobre isso e discutimos o panorama. Mas não me cabe aqui ficar antecipando movimentos ou me arvorar como porta-voz de alguém da dimensão de Lula. O que tenho certeza é de que será um enorme prazer chegar às eleições de 2022 batendo à porta de cada eleitor do Rio Grande do Norte levando Lula e Fátima junto comigo!

"Num eventual governo Lula é fundamental que tenhamos uma bancada capaz de ajudar o presidente nesta travessia para um país melhor para todos e todas".

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