O “fator” Ezequiel é uma realidade?
Natal, RN 23 de jun 2024

O “fator” Ezequiel é uma realidade?

24 de fevereiro de 2022
4min
O “fator” Ezequiel é uma realidade?

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Em recente entrevista a 98 FM Natal, o ex-vice-governador do RN, Fábio Dantas, disse que tem certeza da derrota de Fátima Bezerra e que o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, tem todas os condicionantes para derrotar a governadora. Ele faz essa afirmação baseada na pressuposição de que sendo o RN uma grande fazenda, Ezequiel, representante desses “fazendeiros”, teria o apoio de 99% dos políticos.

Já o sempre reacionário deputado estadual José Dias disse acreditar que se for candidato, Ezequiel Ferreira teria apoio de até 18 deputados estaduais e da maioria dos prefeitos do Rio Grande do Norte. Segundo o parlamentar tucano, esses apoios serão relevantes, porque os prefeitos atualmente estão mais bem avaliados do que em pleitos anteriores, nos quais as alianças com gestores municipais não foram tão relevantes para candidatos ao governo.

Esse político de 54 anos, emerge como a “bola da vez” de uma oposição que, há 8 meses do pleito eleitoral, está em busca desse “salvador”. Mas, de onde vem a força desse tradicional político que, embora nascido em Natal, tem nas origens familiares a sua força eleitoral centrada no interior?

Ezequiel é bisneto do ex-deputado Ezequiel Mergelino, que ocupou uma cadeira no legislativo estadual em 1910; sobrinho-neto do ex-senador e ex-deputado José Ferreira; é sobrinho-neto da ex-deputada Maria do Céu Fernandes, primeira deputada eleita do Rio Grande do Norte; também sobrinho-neto do ex-governador e ex-deputado Cortez Pereira; primo de um dos mais fortes caciques que já passaram pela Assembleia Legislativa, o deputado Paulo de Tarso Fernandes;  primo do ex-governador do Rio Grande do Norte Iberê Ferreira; e filho do ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel José Ferreira de Souza.

As suas principais bases políticas são nas regiões: do Seridó, especialmente em Currais Novos, seu berço político, e onde obteve maior votação para deputado estadual na história do município; do Trairi, berço político de seu pai; do Agreste, principalmente em Nova Cruz e Canguaretama; na Grande Natal, em Ceará-mirim, Maxaranguape e Macaíba e com expressivas votações em demais municípios espalhados pelo Estado, na região Central, Mato Grande e região salineira.

Vem sendo eleito desde 2002 e já passou pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da Mobilização Nacional (PMN), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PDMB) e, a partir de 2016, pelo moribundo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tendo recebido 58.221 votos e mais votado, sendo que os municípios que mais lhe deram essa votação foram: Currais Novos, 4.600 votos; Goianinha, 3.941 votos; Natal, 2.759 votos; e  Espírito Santo, 2.219 votos, cerca de 23,0% do total de votos recebidos.

Provavelmente essa ascensão de Ezequiel à condição de esperança da oposição para derrotar a governadora venha de sua posição de presidente da Assembleia Legislativa, tradicional espaço de troca de favores entre deputados estaduais e prefeitos, sendo que historicamente a Assembleia era um local em que os deputados estaduais funcionavam como cabos eleitorais para governadores, senadores e deputados federais, além do acesso a recursos orçamentários. Foi nessa condição que Robinson Faria chegou à vice-governadoria, em 2010, e na governadoria em 2014.

Fátima tem boas relações com Ezequiel e este tem bom trânsito nos diversos partidos, mas ao comandar o PSDB, cujo chefe maior é o ministro Marinho, fica quase que totalmente inviabilizada uma aliança entre Fátima e o PSDB. E a própria estrutura política do RN fortalece o presidente do Legislativo afinal, no final de 2021, ele passou a visitar regiões do interior do estado com o projeto “Assembleia e Você”, que leva atendimentos e ações gratuitas nas áreas sociais, de educação, cultural, saúde e cidadania para todas as regiões do Estado. Com ele, Ezequiel tem se aproximado mais das pessoas e dialogado mais com lideranças regionais, ou seja, o Legislativo fazendo ações que deveriam partir do Executivo.

Portanto será interessante observarmos os próximos passos de Ezequiel.

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