TRANSPARÊNCIA

100 famílias sem teto ocupam galpão abandonado nas Rocas pertencente à Prefeitura de Natal

Na madrugada desta segunda (21), cerca de 100 famílias sem teto ocuparam um galpão abandonado no bairro das Rocas, que pertence à prefeitura de Natal. O grupo é formado por famílias que, diante do aumento generalizado de preços em diversos setores, combinado com o desemprego, não tiveram mais condições de pagar aluguel.

Tem disparado a procura por um lugar nas ocupações ultimamente”, comentou o Coordenador do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), Matheus Araújo.

O Movimento, com atuação em todo o país, tem organizado uma série de ocupações em Natal nos últimos anos. A mais recente, nas Rocas, foi batizada com o nome de Palmares, o mais simbólico quilombo onde se refugiavam escravos que resistiam ao sistema escravista no Brasil.

Hoje de manhã o pessoal da Guarda Municipal veio até aqui se certificar da situação. Perguntaram quando ocupamos e foram embora. Nossa preocupação é que eles voltem e nos expulsem”, relata Marheus.

Além da Palmares, atualmente quatro ocupações de famílias sem teto organizadas pelo MLB/ RN estão em atividade em Natal: a Ocupação Emmanuel Bezerra (Ribeira); a Ocupação Margarida Maria Alves (Mãe Luíza); a Ocupação Valdete Guerra (Planalto) e a Ocupação Luiz Maranhão (Jardim Progresso).

Ao todo, o MLB é responsável pela organização de, pelo menos, 20 ocupações na capital potiguar. O Movimento está presente em mais de 20 estados com ocupações urbanas sendo que, no Rio Grande do Norte, o MLB já conseguiu mais de três mil moradias desde o início de sua atuação.

Dados fornecidos pela prefeitura de Natal em 2021, mostravam que a cidade tinha um déficit habitacional de, aproximadamente, 70 mil moradias. No entanto, o MLB já estima que até este mês de março esse número tenha subido para 90 mil moradias. Além disso, a capital potiguar tem 70 favelas.

Em 2021, 16 famílias da Ocupação Pedro Melo, que ficava no Albergue Municipal, na Ribeira, receberam unidades habitacionais no condomínio Village de Prata, no Planalto.

Ocupação Palmares, no bairro das Rocas, Zona Leste de Natal I Foto: decida pelo MLB/ RN

Fotos cedidas pelo MLB/ RN
Foto: @ysmaelventura

Ocupações do MLB em atividade em Natal:

Ribeira: Em outubro de 2020, 60 famílias iniciaram a Ocupação Emmanuel Bezerra em um prédio abandonado da antiga Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mas, por causa do risco de desabamento da estrutura do prédio e depois de muita negociação, o grupo foi transferido para um galpão no mesmo bairro da Ribeira.

Mãe Luíza: Mais de 40 famílias que não tinham condição de pagar aluguel montaram acampamento em um terreno que pertence à Prefeitura de Natal, mas estava abandonado há mais de dez anos, segundo a coordenação do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB). A Ocupação foi chamada de Margarida Maria Alves, paraibana que dedicou sua vida à luta do povo trabalhador e foi uma das primeiras mulheres a ocupar o cargo de direção de um sindicato. Margarida foi assassinada por um fazendeiro em 12 de agosto de 1983 e uma de suas frases que permanecem até hoje na memória de quem segue nessa luta é: “Melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

Planalto: Em julho de 2021, 200 famílias ocuparam um terreno baldio com mato, lixo e entulhos, que pertence à prefeitura de Natal, mas estava abandonado há cerca de oito anos, no bairro do Planalto, na Zona Oeste de Natal. A Ocupação, batizada de Valdete Guerra, é formada por famílias de diferentes bairros da zona oeste da capital potiguar, como o Leningrado, Guarapes e Planalto, regiões que se caracterizam pela população numerosa e de baixa renda.

Jardim Progresso: 20 famílias formam a Ocupação Luiz Maranhão, localizada num terreno público no bairro do Jardim Progresso, Zona Norte de Natal.

 

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