DEMOCRACIA

Ato em homenagem a Marielle Franco em Natal cobra Justiça e pede fim da violência contra os corpos de pretas e pretos

 Um aniversário difícil de esquecer e digerir. Faz quatro anos que o Brasil espera ansioso por uma resposta para a pergunta mais repetida dos últimos tempos: quem mandou matar Marielle ? A ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada a tiros em 14 de março de 2018 quando voltava de uma atividade política com um grupo de mulheres, no Rio de Janeiro. Além dela, morreu também o motorista Anderson Gomes. Em várias capitais, ativistas realizaram manifestações em memória da parlamentar que virou símbolo internacional de resistência e de defesa dos Direitos Humanos.

O ato simbólico em Natal ocorreu na calçada do shopping Midway Mall e contou com a presença de ativistas, lideranças políticas e partidárias. Alguns pedestres e usuários de ônibus pararam para ouvir os discursos e pelo menos dois motoristas buzinaram em solidariedade.

A estudante e militante do PSOL Camila Barbosa também homenageou Marielle Franco / Foto: Rafael Duarte

A manifestação foi convocada pela executiva municipal do PSOL e conduzido pela presidenta da legenda, Tati Ribeiro. Ela conheceu pessoalmente Marielle e contou que a data sempre mexe com ela:

– Mexe demais, eu achava que com o tempo a gente ia ficar com o coração um pouquinho menos apertado, mas vai chegando a data e eu fico doente. No dia da morte dela eu estava no Fórum Social Mundial porque no dia seguinte ela estaria lá. E ao invés da presença de Marielle a gente fez um ato, em luto. E desde então toda vez que vai chegando o dia 14… até o 8 de março perdeu um pouco o gostinho que tinha antes porque é perto do dia 14.. e acaba comigo”.

Tati Ribeiro, presidenta municipal do PSOL

Pelo PSOL também participaram do ato o presidente da executiva estadual e pré-candidato ao Governo do Estado Danniel Morais e o vereador Robério Paulino. Já o PT foi representado pelas vereadoras Brisa Bracchi e Divaneide Basílio, além de assessores de ambos os mandatos.

Enquanto Brisa lembrou que Marielle mexeu numa ferida aberta no Rio de Janeiro ao bater de frente com as milícias, Divaneide destacou a lei municipal Marielle Franco, que o mandato dela tentará aprovar na Câmara Municipal.

Lia de Araújo é coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado/ foto: Rafael Duarte

Os números da violência contra jovens pretos e pretas nas periferias também foram lembrados nos discursos. Coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado, Lia Araújo foi ao ato com uma placa onde se lia “Basta de feminicídio !”. Ela destacou a importância da Marielle em sua formação e na luta de milhares de mulheres pretas que a veem como um símbolo de resistência.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"