Marcelo Freixo: “Precisamos de mais Marielles e de menos Bolsonaros”
Natal, RN 13 de abr 2024

Marcelo Freixo: "Precisamos de mais Marielles e de menos Bolsonaros"

25 de março de 2022
6min
Marcelo Freixo:

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Deputado federal pelo PSB e pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo é considerado um dos políticos em maior ascensão do país. Nascido em 1967 em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, é professor de História e ganhou visibilidade no Rio e no país com o trabalho pelos direitos humanos e no combate às milícias que operam no Estado. Foi deputado estadual por três mandatos consecutivos e presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Ganhou notoriedade nacional quando presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito das milícias no Rio de Janeiro, tendo inspirado um personagem do filme Tropa de Elite 2, de José Padilha. Freixo esteve em Natal nesta quinta-feira, 24, participando de congresso do PSB e concedeu entrevista exclusiva para a Agência Saiba Mais.

Agência Saiba Mais: Com a filiação de Geraldo Alckmin ao PSB, possivelmente para ser companheiro de chapa de Lula, parece estar se construindo uma frente ampla progressista. Como vê esse movimento?

Marcelo Freixo: Esse é o projeto. Uma frente ampla progressista e democrática. O Brasil precisa, sim, de uma força política de Centro-Esquerda que traga equilíbrio, diálogo e um pacto de governança que possibilite que mudemos essa realidade imposta pelo governo Bolsonaro.

Como avalia o governo Bolsonaro?

O governo Bolsonaro dialoga com práticas criminosas, estimula as milícias no Rio de Janeiro e trouxe atualmente um domínio absoluto do "Centrão" na vida política brasileira, na verdade, Bolsonaro não passa de uma marionete nas mãos do Centrão, que domina o Congresso Nacional. E estamos vendo o resultado disso: preço elevado do combustível, volta da fome, inflação, desemprego. E ainda temos a conduta desastrosa do governo Bolsonaro durante a pandemia, onde todos nós sofremos e perdemos pessoas queridas. Enfim, é um desastre. Mais que isso, uma ameaça à democracia. Tenho dito que a eleição de 2022 será um plebiscito sobre a Constituição de 1988, se ela vai continuar valendo no Brasil. Afinal, uma vitória de Bolsonaro seria o fim da Constituição. Bolsonaro fala sistematicamente em dar um golpe, em fechar o STF. Precisamos criar um projeto de governança de Centro-Esquerda para fazer uma política democrática e reconstruir este país que Bolsonaro está destruindo. E vejo o PSB com um papel muito importante neste projeto de Centro-Esquerda, onde a liderança é, sem dúvida, de Lula. O PSB pode e quer dialogar com todos os partidos de Esquerda e também de Centro. Temos que observar ainda que o Centro não está apenas na política, no Congresso Nacional, mas na sociedade como um todo, está no empresariado, em setores médios da sociedade

Seu nome foi lançado pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro e está em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto com o atual governador Cláudio Castro, que tentará reeleição. Como avalia que será essa campanha?

Será uma eleição extremamente polarizada. Em todo o Brasil, claro, mas no Rio de Janeiro especificamente. O governador atual é bolsonarista, é de extrema-direita e faz parte dessa política que afundou o Rio de Janeiro, que conta hoje com cinco ex-governadores presos. O Rio de Janeiro não aguenta mais. A cidade precisa ser reerguida. É importante resgatar o Rio de Janeiro de Bolsonaro. E quando for presidente, Lula precisará ter governadores aliados, além de deputados federais e senadores, para reconstruir o Brasil.

O governador Cláudio Castro é evangélico e cantor gospel, com penetração política neste segmento. Como sua campanha pretende dialogar com o eleitorado evangélico?

É importante que se diga que quando falamos de evangélicos, falamos de uma população muito ampla. Uma coisa são as lideranças evangélicas que cumprem um papel político, outra coisa é o povo evangélico, por quem tenho um respeito muito grande. As igrejas evangélicas no Rio de Janeiro cumprem um papel muito importante nas comunidades, principalmente entre famílias mais pobres e com pouca estrutura. Então quero que esses evangélicos sejam meus aliados no governo, combatendo a desesperança que tomou conta do Estado. Tenho as igrejas evangélicas como minhas aliadas.

Fala-se muito que Lula vencendo a disputa presidencial precisará garantir a governabilidade. Como os momentos progressistas trabalham com essa necessidade de fazer uma bancada que dê sustentação a Lula?

É um dos grandes desafios que temos. Hoje o Centrão é mais forte do que em qualquer outra época na história do Brasil. Bolsonaro não manda, ele é mandado. está nas mãos do Centrão. Arthur Lira (presidente da Câmara dos Deputados) tem hoje um orçamento secreto, que fortalece práticas não democráticas. É muito importante que o campo progressista eleja uma bancada quantitativa e forte para garantir a governabilidade e a gestão de Lula.

No segundo turno das eleições de 2018 houve índice recorde de abstenção, com mais de 31 milhões de eleitores não votando. Como convencer as pessoas da importância do voto?

É a política que decide nossas vidas. Política é o preço do remédio, do gás, do material da escola, das compras que fazemos no supermercado, tudo isso é política. Precisamos fazer uma prática para dialogar com o povo que se abstém de votar, que defende a não-política. Todos precisam participar da vida política, é um direito de cada um. E quero registrar a importância do jovem de 16 e 17 anos tirar o título de eleitor e votar. É o voto dele que vai decidir a qualidade da universidade onde ele vai estudar, por exemplo. Nós do campo progressista precisamos insistir para que os jovens tirem o título eleitoral e tenham vontade de votar.

É de conhecimento público sua amizade e afinidade com Marielle Franco, assassinada há quatro anos e hoje um símbolo político. Quais sua percepção sobre a morte e o legado dela?

Muita tristeza com isso. Marielle trabalhou comigo por dez anos, era uma grande amiga, uma aliada. Até hoje tenho relações fortes com a família dela, com a irmã e a filha. É inadmissível que uma vereadora eleita seja executada com vinte tiros e que quatro anos depois não se saiba quem mandou matar. Foi um crime político, não se pode ter dúvida disso. Mataram Marielle, mas também tentaram matar uma maneira de fazer política, de forma honesta, inclusiva, democrática. Devemos incentivar que surjam mais Marielles, no Rio, em São Paulo, no Nordeste, em todo o Brasil. Precisamos de mais Marielles e menos Bolsonaros.

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