“Pintar Iemanjá de preto é um insulto aos umbandistas”, diz liderança de terreiro do RN
Natal, RN 27 de mai 2024

“Pintar Iemanjá de preto é um insulto aos umbandistas”, diz liderança de terreiro do RN

2 de março de 2022
3min
“Pintar Iemanjá de preto é um insulto aos umbandistas”, diz liderança de terreiro do RN

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“Era pra ser preta mesmo”, muita gente comentou na internet a notícia da imagem de Iemanjá que fica na Praia do Meio, em Natal, com a pele pintada de preto sem qualquer tipo de autorização. Enquanto isso, os seguidores de religiões de matriz africana acharam o ato extremamente desrespeitoso.

Saiba Mais: Iemanjá, na Praia do Meio, é pintada de preto e representantes de religiões de matriz africana denunciam câmera quebrada

“Considerando o tamanho da nossa luta em preservar as histórias dos mais velhos, aqueles vieram antes, na luta contra a intolerância religiosa e foram quem lutaram e conquistaram não só a estátua, mas o local de culto ao nosso sagrado, pintar Iemanjá de preto é um insulto e um desrespeito aos umbandistas desta cidade”, declarou a coordenação colegiada do Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia do Rio Grande do Norte (Gama/RN), Iyalaxé Flaviana D' Oxum.

O episódio aconteceu durante o final de semana de Carnaval e foi percebido pela população na segunda-feira (27). A Secretaria Municipal de Cultura/ Fundação Cultural Capitania das Artes informou que o artista Emanuel Câmara, autor da obra, faria a avaliação dos danos e posterior restauro.

Para o Gama/RN, trata-se de mais um ato de depredação, como os outros que a estátua sofreu. “Desde 2019 nós lideranças de terreiros estamos tratando dos assuntos relacionados à estátua de Iemanjá juntamente com Ministério Público, Prefeitura e Secretarias responsáveis”, destacou, anunciando que o monumento está em fase de tombamento e o espaço do entorno também é reconhecido pelo Município como sagrado.

Flaviana D’Oxum lembra ainda que os candomblecistas não cultuam imagens, mas sim as forças da natureza. Apesar disso, podem ter estátuas em homenagem a Iemanjá, inclusive com o perfil afrocentrado, com o perfil de um devoto incorporado no orixá.

“Uma estátua, com esse perfil [negra] seria uma homenagem ao orixá. Ter uma com traços europeus e pintar de preto da forma como fizeram não é uma homenagem”.

Diante disso, reforça que a ação de vandalismo não foi vista com bons olhos por aqueles que reverenciam a rainha das águas: “Protesto para nós é fazer uma militância onde se busca um diálogo com o parlamento e os gestores e se conquista não só uma outra Iemanjá, preta, mas um espaço cultural como a Casa de Cultura Negra de Natal, um museu para as comunidades tradicionais, entre outras conquistas que não desrespeitem a História, mas que fortaleçam a luta coletiva dos povos tradicionais de terreiros”.

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