PT e PSB : deu chabú, e agora?
Natal, RN 20 de jun 2024

PT e PSB : deu chabú, e agora?

11 de março de 2022
3min
PT e PSB : deu chabú, e agora?

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Parece que a federação do Partido dos Trabalhadores (PT) com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) está dando chabú. E, pelo que vejo, é por causa da resistência dentro do próprio PSB, que navega entre um progressismo envergonhado e um liberalismo claudicante. As negociações emperraram e quarta-feira (9), depois muita conversa, o PT, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV), anunciaram a formação dessa tão esperada, por parte dos setores da esquerda e com a oposição de outros setores da própria esquerda, tal federação.

A federação, que surgiu como uma forma de dar um sentido mais racional ao nosso mosaico partidário, buscando forjar coalizões programáticas, acabando com as alianças de ocasião. Parece uma proposta salutar, mas confronta com a realidade da nossa política. Isso pode ser visto no processo de negociação entre o PT e o PSB, visto que o PCdoB, por razões óbvias, defende com unhas e dentes a formação dessa federação.

O fato é que como o sistema eleitoral e partidário no BraZil está assentado numa base em que subsiste o caráter federativo da própria estruturação partidária, fez com que os interesses locais, dos dois partidos, se sobrepujassem a um acordo nacional. No BraZil mesmo os partidos nacionais têm que se curvar aos fatores regionais, para montar sua estrutura eleitoral. E no caso da até agora fracassada federação progressista, que incluísse o PSB, o “caciquismo” desse partido, que acabou por brecar o processo.

Mas vamos ser claros. Nem no PT e nem no PSB havia uma compreensão da necessidade dessa federação. Por visões e interesses diferentes, sendo que no PT os setores defendiam a tese de que essa federação enfraquece o partido e diminui sua importância política, que, é na realidade, uma “visão hegemonista”; do lado do PSB há claramente setores que não são progressistas e sim alinhados como o status quo, além do que o peso regional é muito mais forte nessa legenda.

O “regionalismo”, característica fundamental da nossa formatação partidária, tão criticada pelos cientistas e analistas políticos, muitas vezes iludidos com os sistemas eleitorais europeus e estadunidenses, é um dos elementos mais fortes nas construções eleitorais.

Uma das consequências desse engodo tem sido o atraso da campanha de Lula e da consolidação da chapa Lula e Alkmin, que estava nas portas do PSB, e que agora está basicamente inviabilizada sua ida e, provavelmente, caso não ocorra nenhuma reversão dos fatos, seu caminho terá de ser para o PV, posto que esse partido concordou com a federação.

No caso do Rio Grande do Norte, onde o PSB é liderado por Rafael Motta e que não havia muita empolgação com a federação, embora houvesse muita conversa, resta esperar os seus movimentos, para saber como o PT daqui se posicionará. Creio que não haverá grandes mudanças no campo majoritário porque, sem a federação, as alianças e apoios continuarão mantidos, mas muda a composição das nominatas e isso terá impacto nos partidos que deverão formar a federação, no caso o PT, o PCdoB e o PV.

O certo é que a novela ainda não terminou e o roteiro está sendo escrito e reescrito a cada semana.

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