OPINIÃO

Academia de Letras, para quê ?

Para que serve uma Academia de Letras?

Você e eu, sujeitos razoavelmente letrados, poderemos gaguejar duas ou três respostas para essa questão. Mas pergunte para um jovem qualquer, que se ocupe menos com livros e mais com vídeos do TIKTOK e tenho certeza de que não haverá resposta de pronto.

Insisto, pois, na pergunta: o que faz nossa Academia Norte-rio-grandense de Letras? Certa vez, perguntei isso para um colega e ele respondeu que ela existia para que um certo número de privilegiados pudesse se locupletar em seus egos. Exageros e maldades à parte, conheço a pessoa e a obra de alguns dos nomes dali que merecem nosso franco respeito. Outro fato que merece destaque tem sido o trabalho de Thiago Gonzaga como editor da Revista da Academia, exercendo louvável tentativa de difusão das letras no nosso Estado.

Mas e o que mais? Por que não tomamos conhecimento de mais iniciativas da Academia para contribuir efetivamente com o fomento da leitura e da formação de público leitor no Rio Grande do Norte? Onde estão também as ações que, junto à prefeitura e ao governo, pudessem estimular a produção de novos autores ou mesmo dar continuidade à expressão de talentos já atuantes na terrinha potiguar? Concursos literários? Abertura maior para publicação na Revista de nomes que não “imortais”? Bate-papos junto às escolas e à Universidade?

Essas foram algumas das ideias que troquei com Josimey Costa da Silva no último sábado, dia 14 de maio, por ocasião do lançamento da reedição de “Bahú de Turco”, livro do jornalista e poeta de verve humorista Pedro Lopes Junior. Josimey está como candidata a uma das cadeiras da Academia Norte-rio-grandense de Letras e tem meu apoio. Explico por quê.

Primeiramente, pela competência profissional. Josimey tem Doutorado em Ciências Sociais/Antropologia pela PUC-SP e Pós-Doutorado em Comunicação Social pela UFRJ. Atua como professora e pesquisadora nos Programas de Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPgEM) e em Ciências Sociais (PPgCS) da UFRN. E não é só o seu currículo, recheado de premiações, que lhe garante essa competência, mas também o dia a dia junto a alunos de graduação e pós-graduação, o que a torna ainda mais ciente e sensível sobre o que se pode aspirar e melhorar em termos de leitura e de espírito crítico no mundo.

Em segundo lugar, e não menos importante, eu destaco a sensibilidade literária de Josimey. Ela não é autora de um livro só, mas de vários títulos, numa produção que remonta há mais de vinte anos, abarcando gêneros diversos como contos, poesia e ensaios, como “Quase Conto”, “Casa de Penhores” e “A palavra sobreposta: imagens contemporâneas da Segunda Guerra em Natal”. Isso sem falar na sua produção bibliográfica acadêmica, que reúne trabalhos que deixam antever sua inegável relação com a literatura, tais como “Amável Zila” ou ainda “Escritura lavrada em pauta e alinhavos de fé”, dentre outros.

Por fim, Josimey Costa da Silva representa uma mudança de paradigma de que a Academia anda precisando. Todos nós sabemos disso. Está na hora de injetar ali sangue novo, com outras disposições e aspirações. Eu (e talvez você) não posso votar, mas realmente espero que os integrantes da Academia deem uma chance ao nome da professora e escritora Josimey e a tudo o que ela representa de bom para o futuro das Letras no Rio Grande do Norte.

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