CULTURA

Coleção de livros reúne artigos de mais de 30 autores sobre negritude no Rio Grande do Norte

Para dar visibilidade à cultura negra do Rio Grande do Norte, a coleção de livros Negritude Potiguar, com três volumes, será lançada neste sábado (14), a partir das 16h, no Jardim da Pinacoteca do Estado. O evento será uma confraternização dos mais de 30 autores que se reuniram na obra à distância, durante a pandemia. Folia de Rua, Pau e Lata, Balé da Ralé e grupo de capoeira animam a festa com acarajé.

Os títulos, organizados pelo antropólogo Geraldo Barboza de Oliveira Júnior, são “Comunidades Quilombolas”, “Povos de Matriz Africana” e “Cultura Popular Negra”. Os e-books foram lançados em outubro de 2021 gratuitamente e neste mês de maio, a Editora Oiticica disponibiliza o livro físico. A arrecadação com as vendas será destinada à comunidade quilombola Livramentos, em Angicos, para construção de uma sede.

Para o antropólogo, professor e consultor socioambiental, o objetivo principal do livro não deve ser vender, mas sim informar e democratizar o conhecimento gerado nas comunidades. Por isso, as obras foram feitas com poucos recursos, mas pretendem causar muito impacto social.

São 25 textos que abordam questões que vão além do racismo. “A ideia é dar visibilidade a esse universo negro no RN, democratizar essa informação. Não é só um acadêmico que vai escrever, como geralmente acontece. A gente faz com que essas pessoas produzam também. Dando voz a quem usualmente é só consultado. A gente não quer ser a voz dessas pessoas, quer que todos falem. Todo mundo consegue escrever”, explica o organizador, que também assina artigos. Conta com monografias, mas não é um livro acadêmico: “Escrevem pessoas com pós-doutorado, mas também com ensino médio”.

O projeto inicial pretendia produzir um livro com até 300 páginas, mas à medida que foi contactando amigos, pesquisadores, moradores das comunidades tradicionais e múltiplos atores sociais interessados em compartilhar suas histórias, obteve um material de quase 600 páginas. E não para de crescer.

Geraldo adianta que outros três volumes serão acrescentados à coleção ainda neste ano. O tema do quarto livro será educação antirracista e arte; do quinto, saúde e nutrição e também territorialidade, para tratar por exemplo de bairros com forte influência negra, como Mãe Luiza e Redinha, em Natal; e o sexto ainda está sendo construído, mas trará questões sobre religiosidade, somando religiões de matriz afro-ameríndia, como a Jurema, já que no trabalho já publicado todos são do candomblé, das diferentes nações, Angola, Ketu e Jeje.

 

“É um mosaico da questão da negritude do RN além do convencional”,

resume o autor.

Trata-se de “informação veiculada de forma democrática”. “Todo mundo consegue ler no celular, tablet, computador o pdf disponibilizado gratuitamente. E a vantagem é que as pessoas se veem também. É mais fácil ler um texto escrito pelo seu pai de santo, do que um que escreveram sobre ele. Essas pessoas são convidadas a escrever sobre suas histórias de vida. Tem muita gente da academia consultando, porque tem muita informação histórica, mas qualquer pessoa lê porque se percebe naquela escrita”, detalha Geraldo Barboza.

Serviço | Lançamento da coleção Negritude Potiguar
Vol. I Comunidades Quilombolas
Vol. II “Povos de Matriz Africana”
Vol. III Cultura Popular Negra

Vendidos entre 35 e 45 reais.

Data: sábado, 14 de maio de 2022;
Local: Jardim da Pinacoteca Potiguar (Cidade Alta, Natal);
Horário: 16h.

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais