CIDADANIA

Conheça Fernando Alves, delegado de polícia civil, evangélico antibolsonarista e pré-candidato a deputado federal

Alagoano de Maceió, mas residente em Natal há mais de 30 anos, Fernando Alves é delegado de polícia civil há 22 anos e se autodenomina como “um militante político antifascismo que também é delegado” e também como “evangélico e contra Bolsonaro”. Tem mestrado em Política Criminal e doutorado em Direito, tendo sido professor na UERN e na rede particular. Em entrevista ao programa Balbúrdia, da Agência Saiba Mais, Fernando falou sobre o Movimento de Policiais Antifascismo no RN, projetos para a polícia e a segurança pública e também a sua pré-candidatura a deputado federal pelo PT.

“A população está acostumada a ver policiais candidatos que são eleitos com o cargo que ocupam. Tenho imenso respeito pelo meu cargo de delegado e de exercer essa profissão, mas não me identifico politicamente como Delegado Fernando, e sim como um militante político e antifascismo que também é policial e que como candidato
disputo um mandato, mas com projetos. O fato de usar farda e distintivo não é suficiente para qualificar um candidato, é preciso ter projetos e ideias, não apenas falar em repressão. Como militante do movimento de Policiais Antifascismo, defendo pautas como a progressiva desmilitarização da Polícia Militar, uma policia melhor remunerada e mais qualificada, além de melhor treinada, para atender a população, principalmente a mais pobre, periférica, e não apenas reprimir”, registrou Fernando.

O militante também registrou que é coordenador do setorial de Segurança Publica do PT e que como “primeiro delegado de polícia afrodescendente que sai candidato por um partido de esquerda, coloco meu nome à disposição do partido para uma pré-candidatura para a Câmara Federal”, afirma. No sábado dia 21 haverá um encontro para debate de tática eleitoral do PT e a definição das nominatas para deputados federais e estaduais, para compor a federação formada por PT, PV e PCdoB “e neste encontro falaremos sobre a importância de ter na Câmara Federal policiais que não sejam de partidos de direita nem surfem na onda do bolsonarismo”.

Perguntado sobre como gravita nos movimentos progressistas e também evangélicos, o delegado é direto: “Nem todo evangélico é bolsonarista. Tenho irmãos de fé que aceitam e respeitam as diferenças. Eu componho como homem cristão faço parte da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que é uma faceta progressista que existe há algum tempo. Essa discussão já está sendo feita dentro das igrejas, das comunidades, e aos poucos estão arregimentando pessoas que não embarcaram no fundamentalismo religioso que é usado pelo bolsonarismo, que se aproveita da pauta de costumes. Nós evangélicos, pessoas de fé que levamos a sério o que está na Bíblia, sabemos que assuntos principais são a caridade, a justiça social, e não a pauta de costumes, trata-se de um equívoco hermenêutico, o que tentamos mostrar para nossos irmãos de fé, que o Cristo não prega violência nem intolerância. Nem todo evangélico quer uma igreja que faz arminha com a mão ou defende estado policial. Muitos de nós queremos uma igreja inclusiva”, disse.

Assista ao programa na íntegra aqui: https://www.youtube.com/watch?v=TUg3IITLJYM

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