TRABALHO

Entregadores do iFood em Natal fazem paralisação e protesto neste final de semana

Dezenas de motoentregadores do iFood protestam neste final de semana em Natal por melhores condições de trabalho e mudança do sistema de cadastro que estaria gerando desigualdade entre eles. A paralisação do sábado (14) e domingo (15) é acompanhada por ato nas imediações do Midway Mall.

O pleito inclui o fim do sistema de sub-praças; da duplicidade de pedidos pra um entregador (faz com que uma pessoa fique com duas entregas na rota e receba apenas pela mais longa); dos bloqueios indevidos sem direito de defesa e da insensibilidade quanto a paradas em finais de semana, feriados e dias de chuva.

De acordo com o grupo que lidera as manifestações, denominado GDP (Galera Da Pressão), a plataforma trabalha com dois sistemas em Natal: operador logística (OLs), terceirizados obrigados a cumprir horários, mas sem carteira assinada; e nuvens, entregadores independentes que ficam à disposição.

Esses OLs se agrupam em quatro subpraças na capital potiguar, segundo o entregador Alexandre da Silva.

“Cada equipe tem que ter uma quantidade de motoqueiros em cada subpraça, A região de Emaús e Nova Parnamirim é uma subpraça; Lagoa Nova é outra; a de Tirol é outra subpraça. A plataforma fala que não tem desigualdade pra nenhum, mas esses grupos estão com quase 100% dos pedidos. A gente só pegava corrida muito longa que saia da subpraça, mas corrida pra perto era pra eles.Se o iFood fala que não tem desigualdade, o que é benefício pra um é pra todos, porque fica 100% dos pedidos pra eles e poucos pra gente? Antes trabalhava com score (tempo online, produção e avaliações, like e dislike do cliente e do estabelecimento)”, o trabalhador explica a mudança.

Alexandre também revela que o sistema do iFood “obriga” a equipe a atender a chamada. “Se eu que sou nuvem e fizer o “rejeito” ou se fizer “deslocamento de rota”, eu posso ir pra casa, que não toca pra mim. Já os OL, que estavam na subpraça não. Quanto mais rejeitava ou desalocava, mais tocava pra eles”.

Vídeo do ato deste domingo:

Bloqueios indevidos

Segundo o grupo GDP, há dois meses o iFood vem fazendo bloqueios equivocados. Um dos motivos para a aplicação dessa penalidade é o aluguel de conta, quando um entregador empresta ou aluga o seu cadastro para que outra pessoa faça a entrega em seu nome. Os clientes podem denunciar essa prática.

“O iFood estava bloqueando muita gente com aluguel de conta sem ser. Tem um caso de um que a gente chama ele de Mestre dos Magos. Foi bloqueado indevidamente, quando foi logar no outro dia estava lá “bloqueio” e é definitivamente. Ou seja, você não tem nenhuma contestação, não tem nenhum meio de abrir uma defesa pra você se explicar. ‘Por que vocês me bloquearam que eu não alugo minha conta? Porque eu não empresto meu telefone”, contou Alexandre.

Quatro casos assim se reuniram e foram ao Tribunal de Pequenas Causas e antes mesmo de qualquer audiência, a conta foi reativada.
“Demos entrada, não procuramos nada de danos morais, que até era pra gente ter botado pra o iFood pagar porque ele passou quase um mês parado com as contas pra pagar. Aí o que acontece? Não precisou nem de audiência. O iFood viu que fez besteira e quando ele foi olhar a conta dele tava lá normal. Voltou a funcionar”.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais