DEMOCRACIA

​Estagnação de Bolsonaro nas pesquisas dificulta palanque de oposição no RN, que continua sem vice

A divulgação nesta sexta-feira, 20, de nova pesquisa XP/Ipespe foi mais um banho de água fria na chapa de oposição ao Governo no Rio Grande do Norte, formada até o momento por Fábio Dantas (Solidariedade) e Rogério Marinho (PL), pré-candidatos a governador e ao Senado, respectivamente. Pela pesquisa feita em âmbito nacional, Lula (PT) lidera com 47,8% dos votos válidos, seguido de Jair Bolsonaro (PL), com 34,7% no principal cenário estimulado. O problema é que Bolsonaro subiu apenas dois pontos percentuais (dentro da margem de erro) em relação à última pesquisa XP/Ipespe, quando tinha 32%. Enquanto Lula, que tinha 44%, subiu 3,8 pontos percentuais.

Essa estagnação do presidente complica a situação da chapa de oposição. Rogério Marinho vem conseguindo crescer nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, chegando em algumas delas a empatar tecnicamente com seu maior adversário, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT), apoiado pela governadora Fátima Bezerra (PT) que tentará reeleição e vem liderando as pesquisas. Mas Fábio Dantas vem conseguindo resultados apenas razoáveis nas pesquisas, estando até mesmo atrás do senador Styvenson Valentim (Podemos) em algumas delas. Esse cenário torna difícil ambos encontrarem nomes de peso eleitoral dispostos a uma pré-candidatura a vice-governador. Rogério também não anunciou os nomes dos primeiro e segundo suplentes para a composição completa da chapa.​ Nos últimos meses, apenas o nome do deputado estadual Luís Antônio Lourenço “Tomba” (PSDB) foi especulado como possível candidato a vice-governador, mas Rogério e Fábio sequer comentaram o assunto.​

Os altos índices de rejeição de Bolsonaro (entre 56% e 62% nas últimas pesquisas) também têm potencial de afastar lideranças políticas do palanque que o bolsonarismo está formando. ​ Se Lula mantiver ou aumentar os números de intenção de voto que tem no RN (vencendo no primeiro turno no Estado, inclusive) a tendência é que candidatos com perfil bolsonarista se afastem do palanque de Fábio e Rogério para evitar desgaste e perda de votos​.

​DESCONFIANÇA

Fábio Dantas ainda sofre um problema a mais na construção do palanque onde será candidato de oposição. O ex-vice-governador na gestão Robinson Faria é visto com desconfiança por parte de bolsonaristas radicais, que criticam o fato de Fábio ter sido filiado ao PCdoB e ao PSB, partidos progressistas. Para esses militantes de extrema-direita, Fábio não elogia Bolsonaro como eles esperam. Em entrevista no mês passado, o pré-candidato do Solidariedade chegou a afirmar que “voto em Bolsonaro, mas não sou bolsonarista”, o que irritou ainda mais os radicais.

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