DEMOCRACIA

PL terá dificuldade para eleger três deputados federais; quem fica de fora?

Dois deputados federais que tentam reeleição e um ex-governador do estado que tenta chegar à Câmara dos Deputados. Essa é a situação do Partido Liberal (PL) no Rio Grande do Norte, que conta com três nomes de peso que terão dificuldades em atingir o objetivo já que por uma série de fatores, como a nominata formada e o quociente eleitoral, dificilmente o partido fará mais que duas cadeiras na Câmara Federal. Ou seja, entre o deputado federal e presidente estadual da sigla João Maia, o deputado federal Eliéser Girão e o ex-governador Robinson Faria, pelo menos um ficará de fora. Com possibilidade real de dois não chegarem a Brasília.

A questão é matemática. Considerando que na eleição  proporcional de 2018 para a Câmara Federal o quociente eleitoral (número de votos válidos, excluídos brancos e nulo, dividido pelo número de cadeiras) foi de 201.229 votos, que é número mínimo de votos exigido para um partido eleger o primeiro deputado, o quociente deste ano deve ficar justamente entre 200 mil e 210 mil votos. O PL precisará desta quantidade para eleger no mínimo uma cadeira.

Em 2018, João Maia teve 93.505 votos para a Câmara, sendo o quarto mais votado, enquanto Girão  somou 81.640 votos. Computando os 70.350  votos de Fábio Faria que Robinson pretende “herdar”, a soma dos três chega a 245.495. A nominata é completada até o momento pela médica Roberta Lacerda, conhecida durante a pandemia por deturpar dados em prol de remédios cuja eficácia não foi comprovada contra covid, jamais tendo sido testada nas urnas. Outros nomes devem ser incorporados à nominata, mas sem peso eleitoral.

Portanto, a votação dos dois deputados e de Robinson conseguiria eleger uma única cadeira na Câmara Federal se todos mantiverem a mesma votação de 2018. O que não é provável, já que João Maia não conseguiu ampliar sua base de apoios e Girão não terá o “efeito Bolsonaro” que o beneficiou há quatro anos. Robinson carregará na campanha o desgaste do seu governo com alta desaprovação. O PL é ainda o partido do presidente Jair Bolsonaro, que tem alto índice de desaprovação no Rio Grande do Norte, onde Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto.

Matematicamente é improvável que o PL consiga fazer 400 mil votos que viabilizariam duas cadeiras na Câmara Federal. Ainda que João Maia tenha votação superior a 2018 e que Girão mantenha a mesma votação, com Robinson conseguindo todos os votos de Fábio, o partido teria de contar que Roberta Lacerda consiga entre 50 e 60 mil votos para o PL chegar a 300 mil e sonhar com uma “sobra” de votos que permita uma segunda cadeira. Ainda nesta formatação, entre João Maia, Girão e Robinson, um dos três sobraria sem cadeira e sem mandato.

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