DEMOCRACIA

PSDB segue dividido entre apoio e oposição a Fátima; Ezequiel mantém silêncio sobre rumos da campanha

O PSDB do Rio Grande do Norte vem ao longo dos anos mostrando força e recentemente com a filiação de 7 novos deputados estaduais, formou uma bancada de 12 parlamentares, metade da composição da Assembleia Legislativa. Mas, ao mesmo tempo, também carrega contradições, paradoxos e uma divisão que ficará bastante visível durante a campanha eleitoral deste ano.

O partido não tem pré-candidato ao Governo do Estado e nem ao Senado. O que faz com que cada deputado tucano siga seus próprios caminhos políticos sem se prender a definições partidárias. Atualmente, dos 12 deputados estaduais, 6 fazem parte da base de sustentação do Governo Fátima: Ezequiel Ferreira de Souza (que é presidente da ALRN), Raimundo Fernandes, Albert Dickson, Ubaldo Fernandes, Kléber Rodrigues e Dr. Bernardo. Os outros 6, Gustavo Carvalho, Tomba Farias, José Dias, Galeno Torquato, Nelter Queiroz, e Getúlio Rêgo. são oposição à governadora.

Mesmo dividido, o partido apresenta nuances e complexidades. Albert Dickson, por exemplo, embora tenha perfil conservador, apoia Fátima Bezerra. Mas a esposa dele, deputada federal Carla Dickson (União Brasil é bolsonarista e em evento recente com presença do presidente Jair Bolsonaro puxou corpo de “fora PT”. Outro deputado tucano, Tomba, tenta viabilizar sua candidatura como pré-candidato a vice-governador na chapa de oposição, com Fábio Dantas (Solidariedade), enquanto o líder da sigla, Ezequiel, tem cargos no Governo Fátima e indicou o secretário de Agricultura, Guilherme Saldanha.

Outro aspecto contraditório do partido é a comparação entre a força que tem no Estado em relação a mandatos federais. O PSDB não tem nenhum representante na Câmara dos Deputados e nenhum senador. E na eleição deste ano também não vem com força para a disputa na Câmara Federal e vai liberar os deputados estaduais para apoiarem candidatos ao Senado de outros partidos.

A reportagem da Agência Saiba Mais ouviu alguns deputados para entender as contradições do PSDB. Segundo Ubaldo Fernandes, “entendo que, já que o partido não terá candidatura própria na eleição majoritária, deve deixar seus pré-candidatos livres para optarem pelo que melhor se adeque aos projetos políticos de cada um”, explica. Em relação ao seu caminho, fala que “minha intenção é continuar aliado ao governo Fátima, que tem feito uma gestão positiva, diante do que recebeu da gestão passada e tendo enfrentado o grande desafio de administrar um Estado em uma pandemia nunca vista na nossa história”, assinala.

Sobre a divisão no partido, Albert Dickson, aliado de Fátima, é mais sintético: “Estamos esperando uma definição do diretório estadual sobre os rumos para a campanha eleitoral”, disse. Perguntado sobre a posição oficial de Ezequiel dentro da legenda, o deputado também é sucinto: “Ezequiel e outros líderes do partido farão uma reunião e estamos esperando uma reunião coletiva para definir sobre a campanha”. Ubaldo confirma a incerteza no partido sobre uma posição: “Não temos qualquer posição oficial sobre o comportamento do PSDB no palanque eleitoral para Governo até o momento”, disse, indicando que a tendência é que tudo fique como está e a sigla libere os deputados para apoiarem quem desejarem, como vem acontecendo na ALRN.

Especulado em março como possível pré-candidato da oposição ao Governo do Estado, Ezequiel manteve silêncio sobre o assunto, jamais assumiu a pré-candidatura ou sinalizou rompimento com Fátima (que apoia desde o segundo turno da eleição de 2018) e neste momento é improvável que migre para a oposição. Entretanto, não vai desejar um conflito com os colegas de partido que se opõem a Fátima, sendo previsível que de maneira discreta e quase silenciosa, vai liberar os deputados para seguirem os rumos que quiserem na campanha. Nesta tarefa, Ezequiel é beneficiado pelo fato que o pré-candidato a presidente do partido, ex-governador de São Paulo João Dória, tem resultados pífios nas pesquisas, oscilando entre 2% e 4%, o que deixa os parlamentares mais à vontade para apoiar Lula ou Bolsonaro, os pré-candidatos que realmente têm peso eleitoral neste pleito.

NOMINATA E ASSEMBLEIA

O desafio maior do PSDB potiguar é reconduzir a bancada com 12 deputados à reeleição, tarefa eleitoralmente difícil, apesar da nominata com 25 nomes, máximo permitido pela legislação eleitoral. Segundo Ubaldo, “temos uma expectativa muito positiva de continuarmos na próxima legislatura com a maior bancada de deputados da Assembleia Legislativa. Temos quadros expressivos, com trabalhos reconhecidos pela população e com capilaridade em todo o estado”. Já Albert Dickson, mantém o pragmatismo: “Nossa expectativa é de eleger pelo menos 11 deputados. Vamos trabalhar muito neste sentido”, disse.

O quociente eleitoral para eleger cada deputado deverá ficar entre 70 mil e 74 mil. Em 2018 o  quociente (número de votos válidos = votos nominais + votos de legenda, divididos pelo número de cadeiras a disputar – 24) foi de 70.274 votos.  Na hipótese de nenhum partido alcançar o quociente eleitoral, será necessário pelo menos 80% dos votos por partido e 20% do candidato para se eleger.  O PSDB deve ter uma ótima votação, tendo em vista ter 12 deputados. Mas, para todos se reelegerem sem depender de sobra de votos, o partido teria de ter (considerando quociente de 70 mil) nada menos que 840 mil votos. Tarefa difícil.

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