CIDADANIA

RN tem cobertura vacinal para pólio abaixo do esperado e risco de retorno da doença depois de mais de 30 anos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Até 2021, apenas 65% das crianças com menos de 01 ano de idade que deveriam ter sido vacinadas contra a poliomielite, haviam sido imunizadas no Rio Grande do Norte. O dado é considerado preocupante pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), que tinha estipulado uma estimativa de cobertura vacinal de 95%.

Os números referentes a 2022 ainda estão em processamento pelo sistema de saúde e não estão disponíveis. Mas, a baixa vacinação contra a poliomielite observada em 2021 já é suficiente para colocar a população em risco para a reintrodução da doença, que havia sido erradicada do Brasil há mais de trinta anos, em 1990.

Sabemos que isso [o retorno da poliomielite] é completamente possível, como no caso do sarampo, que já havia sido erradicado do Brasil. É importantíssimo estarmos com 95% das crianças vacinadas para que a doença não volte a se desenvolver no país”, alerta Laiane Graziela, Coordenadora de Imunização da Sesap.

O que ocorre no Rio Grande do Norte é um reflexo do que vem acontecendo em todo o país, não apenas com a poliomielite. A reintrodução dos casos de sarampo no Brasil à qual Laiane se refere foi observada em 2018, quando foram registradas 10.346 notificações da doença.

Até então, os últimos casos de sarampo haviam ocorrido em 2015 e em 2016 o Brasil chegou a receber um certificado de erradicação da doença da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS), que acabou perdendo com o ressurgimento do sarampo. Até então, o Brasil era apontado como exemplo mundial em suas campanhas de vacinação, com um calendário vacinal exemplar.

Entre os anos de 1968 e 1980 a poliomielite atingiu, aproximadamente, 26 mil crianças em todo o país. A vacina foi atestada mundialmente como eficaz em 1955, mas apenas em 1980 o Ministério da Saúde começou uma campanha de vacinação contra a poliomielite. Desde então, a média de vacinação se mantinha estável, até começar a cair em 2015.

Um estudo recente da Fiocruz aponta vários fatores para essa baixa procura. Tem a influência dos antivacina, mas também há a ausência de campanhas de vacinação. O fato é que a pólio é uma doença altamente transmissível e devastadora que pode causar paralisia. É bastante preocupante”, lamenta a Coordenadora de Imunização da Sesap.

Uma das imagens que mais remetem à poliomielite é a de pessoas, principalmente crianças, em cadeiras de rodas com os membros inferiores atrofiados. Isso ocorre porque a doença é causada por um vírus que vive no intestino (poliovírus) e está relacionado com a infecção da medula e do cérebro, provocando sequelas motoras para as quais não há cura.

Campanha de vacinação da década de 1980 I Imagem: reprodução

Transmissão

A poliomielite pode infectar tanto crianças quanto adultos por meio do contato direto com fezes ou secreções eliminadas pela boca das pessoas infectadas e provocar ou não paralisia.

O contato pode ocorrer de maneira direta de uma pessoa pra outra, por objetos, alimentos e água contaminada com fezes de doentes ou portadores ou por meio de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar).

Sintomas

Febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite, são os sintomas mais comuns entre os pacientes. Nas formas mais graves há a ocorrência de flacidez muscular, que afeta um dos membros inferiores.

Tratamento

Não há tratamento para a poliomielite. Os pacientes recebem apenas medidas paliativas para os sintomas, de acordo com o quadro clínico de cada pessoa. É o caso da fisioterapia, para que os exercícios ajudem a desenvolver a força dos músculos afetados, além de ajudar na postura, melhorando assim a qualidade de vida e diminuindo os efeitos das sequelas. Além disso, pode ser indicado o uso de medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações.

Sequelas: 

  • problemas e dores nas articulações;
  • pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão;
  • crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose;
  • osteoporose;
  • paralisia de uma das pernas;
  • paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta;
  • dificuldade de falar;
  • atrofia muscular;
  • hipersensibilidade ao toque.

Quem deve se vacinar?

Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, seguindo o esquema de vacinação previsto na campanha nacional anual. O esquema vacinal contra a poliomielite é de três doses da vacina injetável – VIP (aos 2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente – VOP (gotinha). As vacinas estão disponíveis nos postos de saúde dos municípios.

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