CULTURA

Correio Amoroso: conto de Clotilde Tavares é publicado em antologia com autores de todo o país

Enquanto milhões de mensagens são trocadas por meios digitais em ritmo frenético, o escritor carioca Henrique Rodrigues reuniu no livro “Correio Amoroso: 20 cartas sobre paixões, encontros e despedidas” contos que resgatam a poética das missivas. Uma das autoras é a escritora Clotilde Tavares, paraibana radicada em Natal.

A coletânea está sendo lançada nesta semana, às vésperas do Dia dos Namorados, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Da editora Oficina Raquel, o trabalho tem três formatos: um bonito impresso (133 páginas, R$ 64,90), com design assinado de Raquel Matsushita; o e-book (R$ 48,99) e o audiolivro (Tocalivros, 04h06min, R$ 64,90), narrado por Marta Guerreiro e João Roncatto.

Além da potiguar e do próprio Henrique, o livro apresenta Ana Pessoa (Portugal), Bruno Ribeiro (PB), Cristiane Sobral (DF), Edney Silvestre (RJ), Jacques Fux (MG), Jessé Andarilho (RJ), João Anzanello Carrascoza (SP), Luiza Mussnich (RJ), Marcela Dantés (MG), Marcelo Moutinho (RJ), Mário Rodrigues (PE), Mateus Baldi (RJ), Natalia Borges Polesso (RS), Natalia Timerman (SP), Olivia Nicoletti (SP), Paula Gicovate (RJ), Renata Belmonte (BA) e Taylane Cruz (SE).

“O convite para fazer parte dessa antologia foi feito em setembro de 2021 por Henrique Rodrigues. Nós nos conhecemos em 2018/2019 quando fiz parte de um projeto do Sesc [onde o organizador trabalha na gestão de projetos literários], o Arte da Palavra”, lembra Clotilde.

Ela é autora do primeiro conto da seleção: “Sorvete com cobertura”. O texto mostra a troca de bilhetes entre Natália e Samuel, um casal que trabalha na linha de frente contra a covid-19 e cujos plantões nunca se alinham. Na rotina de poucos encontros, os recados escritos registram cuidado e amor entre os dois.

Clotilde lê bilhete do conto:

“O texto da Clotilde é muito especial e, não por acaso, abre a antologia. É um dos mais gostosos do livro, sobre um casal de médicos que, por conta da correria da pandemia, mal consegue se encontrar em casa, e os dois se comunicam por bilhetes deixados na geladeira”, destaca Henrique Rodrigues, que fez questão de tornar plural a coletânea.

“Os leitores podem esperar um retrato da diversidade literária brasileira a partir do desafio de escrita de cartas de amor ficcionais”, explica.

Nem todas as histórias são carinhosas como a do casal criado por Clotilde. Em “Maldito Alfred”, Edney Silvestre reconstrói uma carta de ódio entre Oscar Wilde e Alfred Douglas, o amante do autor inglês responsável por sua ruína. Alfred teria deixado Wilde sozinho, na véspera de Natal, na cidade de Nápoles, na Itália, para atender a um chamado da família.

E nem só de amor erótico-romântico são feitas as cartas do livro. Em “Estrela da Vó Guida, s/nº”, de Marcelo Moutinho, uma neta escreve para a sua avó morta; e “Quando acordei, você já tinha ido”, de Marcela Dantés, é uma surpreendente carta de despedida a uma perna perdida em um acidente.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais