CIDADANIA

Estudante de medicina selecionado em Harvard faz campanha para custear estudo

Jovem potiguar, arretado e sonhador”. É assim que Erick Matheus, de 23 anos, estudante de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), define quem ele é. De origem humilde, filho de pai taxista e mãe dona de casa, foi selecionado para cursar parte da sua graduação na Universidade de Harvard, uma das mais antigas dos Estados Unidos. Fora do país, vai estudar neurociência e psicologia, os conhecimentos de base da especialização que quer seguir na medicina, a psiquiatria.

Mas para custear seu semestre em Harvard, Erick está fazendo uma campanha para arrecadar cerca de R$ 150 mil. “Infelizmente, as universidades americanas ainda são muito elitistas. Existem programas de bolsa e estímulo à entrada de estudantes internacionais, mas não para os programas de graduação sanduíche, o que fui aprovado. Então tenho que juntar cerca de R$ 150 mil para custear meus estudos lá em Harvard. Já atingi mais da metade desse valor, mas o desafio ainda continua, estou contando a minha história e pedindo a meu povo potiguar para acreditar no meu sonho e doar para a campanha”, contou à Saiba Mais.

Com a base educacional no ensino público, sendo o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), unidade da zona norte de Natal, o espaço de preparação para o ingresso na educação superior, Erick revela que “chegava a passar madrugadas estudando, dias após dias, até conseguir ser aprovado em 2° lugar na UFRN”.

A decisão pela formação profissional que seguiria aconteceu aos 18 anos, depois do jovem ter perdido um amigo, vítima de suicídio, vencido a depressão e os traumas do passado e conseguido integrar um projeto “que já levou acolhimento em saúde mental a mais de 1500 crianças e adolescentes de escolas públicas em Natal”.

Até ser selecionado para estudar em Harvard, Erick avalia que “o valor mais importante que você pode cultivar para ser selecionado é conhecer a si mesmo, de onde você veio e o que você quer para seu futuro”.

Durante o processo de seleção para Harvard, lembrou das suas origens e o caminho que percorreu. “Eu fui daqueles meninos que passavam o dia na rua, minha infância foi maravilhosa. Brincava de bola, pipa, biloca, esconde-esconde. Na época eu morava com minha família materna num quarto que dormiam eu, minha mãe e mais duas tias. Nós não tínhamos muito, mas também nunca faltou. Até hoje tenho o hábito de comer aos poucos um alimento para poder ter na outra semana (um doce, sorvete por exemplo)”, afirmou Erick.

Além da infância humilde, a perda de um amigo também marcou profundamente sua vida e sua escolha profissional. “No meio do cursinho, que eu fazia com bolsa de 100%, fui tendo cada vez mais forte um sentimento de que eu precisava agir para que ninguém mais tivesse que sentir a mesma dor que me angustiava naquele momento. Então eu decidi me voluntariar, aos 18 anos, ao CVV (um serviço nacional de atendimento telefônico a pessoas que precisam de apoio emocional). Nas ligações que recebia, pude ajudar a salvar diversas pessoas do suicídio e ali recebia a gratidão delas por poderem continuar por mais um dia. Essa gratidão enchia meu coração e me fez tomar a escolha de buscar esse sentimento pelo resto da minha vida”, revelou.

“Então se eu pudesse deixar uma mensagem para os leitores, quero dizer que não é sobre um valor, pois fico feliz em receber até R$ 1 real, mas sobre você acreditar nesse sonho”, afirmou Erick ao falar sobre as formas de fazer a doação. Além do PIX, através da chave telefônica 84981466707, é possível contribuir pelo link da vaquinha virtual (https://benfeitoria.com/projeto/erickemharvard?ref=Instagram2).

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