OPINIÃO

O grito de ódio e preconceito dentro da Assembleia Legislativa do RN

No sistema político partidário braZileiro, que historicamente é jovem, visto que apenas entre 1945 e 1964, e depois a partir de 1985, tivemos uma democracia representativa capenga, as escolhas eleitorais são um verdadeiro mistério, que “produzem”, volta e meia, ogros políticos e figuras patéticas, tornando o voto uma arma contra a própria sociedade.

Nas eleições de 2018, nada menos que 752 mil eleitores simplesmente não foram votar, o que representa 17,6% do eleitorado que, somados com os votos nulos e brancos, significa que mais de UM MILHÃO DE ELEITORES se abstiveram de participar da escolha dos seus próprios representantes, ou seja, 35,2% do eleitorado. De cada 10 eleitores registrados no RN quase 4 deixaram para os outros 6 decidirem como seriam governados.

Essa opção pela não participação, que não é nenhuma novidade, assumiu proporções perigosas, pois os 64,8% de eleitores que votaram o fizeram baseados num sistema político que é desigual e condena os partidos ideológicos mais à esquerda, que sobrevivem dentro desse sistema, conforme já alertara Lenin, a votar sem muita percepção do que aquele candidato representa.

Nesse sistema falido, as candidaturas não se apresentam ao eleitorado com um discurso que se lastreia pelo programa do partido ao qual pertencem, e sim como um “produto”, muitas vezes montado pelas redes sociais e empresas de propaganda. O voto torna-se, nesse contexto, algo fluído e, muitas vezes, desimportante aos olhos dos eleitores, com reflexos muito negativos para os 3,5 milhões de habitantes do RN.

E a Assembleia Legislativa, que tem 187 anos, é o espaço onde todas as deficiências do nosso sistema político e partidário, derivada da nossa própria formação histórica, é uma casa legislativa que já teve figuras melancólicas como deputados estaduais. Os eleitores, em 2018, decidiram eleger Albert Dickson “Oftalmologista” (31.698 votos), que fez e faz pregações negacionistas a respeito da COVID-19; o tal “coronel” Azevêdo (27.606 votos), um bolsonarista modorrento, cujos discursos são uma aberração política; e outros políticos, uns mais tradicionais que outros, mas boa parte deles saído do nosso passado político, erguido das fazendas de gado.

É um desses personagens da nossa atualidade trágica, é o tal de Michael Diniz, um declarado monarquista, que teve 7.773 votos , sendo 2.289 (29,4%) deles em Parnamirim, onde é dono de postos de gasolina, que será estará enlameando a Assembleia Legislativa pelos próximos 120 dias, devido ao pedido de licença feita por Kelps Lima, que também não é grande coisa, mas que, pelo menos, tem um certo ar de civilidade, e que estreou vomitando toda a sua ignorância, explicitando seu ódio ao movimento LGBTI+, num surto homofóbico, muito comum nesses fascistas ressentidos e que tem dificuldade em aceitar a diversidade do mundo que o cerca.

Esse Michael Diniz é mais um subproduto desses tempos sombrios, que revelou pessoas más, ignorantes, desprezíveis, violentas e perigosas, pois trabalham com um discurso belicoso, com falas agressivas. O que ele irá fazer em 120 dias na Assembleia Legislativa? Nada. Utilizará esse espaço para expor, para os seus 7 mil eleitores e para o “mundo fascista-bolsonarista”, que está dentro dos quase 31% de eleitores de Bolsonaro no RN, sua truculência, buscando consolidar seu espaço nesse zoológico sombrio.

Ao mostrar todo seu desprezo ao movimento LGBTQI+ e desrespeitar a deputada estadual Isolda Dantas (PT), esse elemento mostra a que veio. Veio para fazer o que esses bolsonaristas, perturbados por seus fantasmas internos, que é o de fazer a propaganda do ódio e do preconceito.

Caberá, em outubro, aos eleitores do RN ou manter, piorar ou melhorar a Assembleia Legislativa, mas o voto, que historicamente é apenas um detalhe na vida das pessoas, precisa ser visto como um elemento que poderá tornar a vida das pessoas melhor ou, pelo menos, mais agradável de ser vivida.

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