CIDADANIA

Projeto da UFRN discute informações sobre o corpo com adolescente de escolas públicas

Produção de hormônios sexuais, reguladores fisiológicos que determinam as mudanças físicas e comportamentais, etapas da vida reprodutiva, Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), riscos do uso de drogas ou anabolizantes, violência sexual e de gênero, pobreza menstrual e a mulher na sociedade. Discutir sobre esses assuntos com jovens é a proposta do projeto de extensão ‘Meu corpo fala, mas será que eu entendo?’ do Departamento de Fisiologia e Comportamento (DFS) do Centro de Ciências de Biociências (CB/UFRN).

Coordenada pela professora Maria Teresa da Silva Mota, a ação, que já contou com financiamento do Ministério da Educação e Cultura, tem como público-alvo adolescentes do ensino médio, embora realize ações com crianças, adultos, professores da rede pública, comunidades rurais, entre outros grupos de pessoas.

Segundo Teresa, existe uma rede de contatos envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Natal que indica espaços para desenvolver as atividades. Colaboram, também, pessoas da área da saúde, alunos que participaram e participam do projeto e pessoas de fora do ambiente universitário que têm conhecimento do tema. “Os convites e indicações são muito bem vindos e nos permitem buscar novos desafios”, conta.

Ela reforça que o projeto oferece um espaço seguro, tranquilo e sem julgamento para discussão sobre temas tratados com mistério, tabu e falta de conhecimento, mas que precisam ser normalizados. “A relevância do projeto pode ser vista na sua duração, pois já estamos há 12 anos promovendo esse tipo de discussão e contribuindo para o esclarecimento da população”, afirma Maria Teresa.

Os governos federal e estadual propuseram iniciativas que visavam conscientizar o público jovem a respeito de temáticas como drogas, sexo e ISTs, durante a educação básica. Contudo, segundo os organizadores do projeto, as iniciativas precisam ser constantes, de modo que uma maior parcela da população jovem esteja informada sobre as características naturais do funcionamento de seu corpo e da mente.

O projeto ressalta que é preciso que as escolas, junto aos professores, participem desse processo de formação sexual dos jovens. “Também cabe a participação de profissionais das Universidades, os quais possuem um conhecimento teórico-científico nessa área. Com isso, a discussão sobre educação sexual faria parte do processo educativo voltado para a construção de uma consciência coletiva em elementos ligados à sexualidade”, descreve o Projeto.

Desenho feito por uma das alunas participantes representando o que ela enxerga do projeto – Imagem: Brenda Forte
Desenho feito por uma das alunas participantes representando o que ela enxerga do projeto – Imagem: Brenda Forte

Essas medidas, ainda segundo o grupo, são importantes, tendo em vista a ausência de recebimento de conhecimentos sobre saúde sexual no ambiente familiar, seja por não existir uma adequação do assunto ou por despreparo dos responsáveis. “O conhecimento das mudanças psicológicas e fisiológicas pertencentes à adolescência pode gerar hábitos saudáveis e maior responsabilidade com a própria saúde e a da comunidade”, observa a coordenação.

Teresa Mota disse que o interesse no tema veio da formação na Pós-Graduação em Psicobiologia do DFS, bem como da vontade de atuar junto à comunidade. “Depois de conversar com uma colega de trabalho com experiência no ensino fundamental e médio, desenvolvi o esboço do projeto que existe até hoje”. Aponta. “A desinformação é dita como causa de problemas recorrentes em nossa sociedade, como a gravidez na adolescência, o aborto e as ISTs. Portanto, uma alternativa que minimizaria as consequências sociais e políticas dessa prática é estimular as potencialidades da educação preventiva nas escolas, CREAS e Institutos Federais, permitindo a discussão de temas polêmicos que auxiliam no esclarecimento de dúvidas e povoam o imaginário do adolescente e dos adultos”. complementa.

Antes da pandemia, todas as ações do projeto eram desenvolvidas de forma presencial. Todavia, devido ao isolamento social, migrou-se para o ambiente virtual, onde foram desenvolvidas várias atividades. O projeto de extensão também possui uma conta no Instagram e um canal no YouTube. “Estamos voltando às atividades presenciais, mas com todos os cuidados, pois a pandemia ainda não terminou”. Além disso, o projeto promove o evento Jornada de extensão meu corpo fala, mas será que eu entendo?, que acontece anualmente e é organizado pelo grupo. Os encontros ocorrem desde de 2014, presencialmente, com palestras e mesas-redondas com os mais diversos temas. Em 2020, o encontro ocorreu via instagram, mas este ano haverá retorno presencial.

“A discussão de temas relacionados ao corpo e a sexualidade são essenciais para nossa saúde e bem-estar, assim como o autoconhecimento e do outro, respeitando as várias expressões da sexualidade. Esse tipo de curiosidade é natural e saudável, devendo ser estimulada, pois é essencial para a construção de uma sociedade justa e que zela pelos direitos sexuais de todos os indivíduos, evitando situações de violência sexual”. Conclui Teresa Mota.

Informações: Agecom/UFRN

 

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