DEMOCRACIA

Rafael Motta não “libera” prefeitos aliados para apoiarem outros candidatos a federal e deixa projeto ao Senado sob suspense

 O deputado federal Rafael Motta (PSB) vem reafirmando na imprensa que a pré-candidatura ao Senado é para valer. Mas nos bastidores, em meio às articulações na busca por apoio e novas adesões ao projeto, o parlamentar tem “segurado” os prefeitos aliados, impedindo que negociem alianças com outros pré-candidatos a uma vaga na Câmara Federal.

Para alguns desses prefeitos a posição de Motta é bastante clara: ele quer esticar a corda até onde for possível para tentar viabilizar a candidatura ao Senado, ainda que a governadora Fátima Bezerra já tenha confirmado que o nome que ela e o ex-presidente Lula irão defender nas urnas seja o do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT). Porém, a depender da posição nas pesquisas e até da orientação da executiva nacional do PSB, Rafael pode recuar, mantendo a estrutura que já vinha construindo para tentar a reeleição na Câmara dos Deputados.

Ele tem dito que é pré-candidato ao Senado, mas pede que ninguém procure outros candidatos a federal enquanto tudo não for definido”, informou uma fonte ouvida pela agência Saiba Mais.

Ao contrário de 2018, o PSB terá em 2022 dois puxadores de voto com chances reais de conquistar uma das oito vagas no parlamento federal. Além de Motta, o ex-deputado Henrique Alves, que trocou o MDB pelo PSB no final da janela partidária após uma briga pública com os primos Garibaldi e Walter Alves, também se movimenta para voltar a Casa. Henrique foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos e deixou o parlamento em 2014, quando optou, naquele ano, por disputar o Governo do Rio Grande do Norte contra Robinson Faria, que acabou eleito e também tentará se eleger deputado federal, pelo PL.

Ainda que Rafael e Henrique tenham condições de serem eleitos, pela quantidade de votos que cada federação precisa conquistar (quociente eleitoral) dificilmente os dois entrarão. Ou seja, pelo menos um deve ficar de fora, cálculo que também vem sendo levado em conta pelo presidente estadual do PSB que, em 2018, foi o 5º deputado mais votado, com 82.791 votos.

No domingo (29), Rafael Motta sofreu um revés na tentativa de emplacar seu nome na chapa majoritária encabeçada por Fátima Bezerra. No encontro de tática do PT, apenas a tendência da deputada federal Natália Bonavides foi contra a aliança da legenda com Carlos Eduardo Alves. Ainda assim, o nome de Motta não foi defendido nem pelos petistas presentes no encontro insatisfeitos com a composição atual.

Após o evento petista, Rafael garantiu ao blog da jornalista Daniela Freire que “a candidatura está de pé”.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"