ENTREVISTA

Saiba quem é e o que pensa Samara Martins, única mulher preta pré-candidata ao Senado no RN

Levada à militância por ser uma mulher preta de periferia, Samara Martins coloca seu nome à disposição para concorrer a vaga no Senado Federal pela Unidade Popular (UP-RN), o mais novo partido legalizado no Brasil e do qual ela é vice-presidenta nacional.

Dentista do SUS, em Parnamirim, e militante do Movimento de Mulheres Olga Benário e do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), sempre discute negritude. Começou no movimento secundarista e foi diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Sem a luta a gente não muda a vida. E a luta pra nós mulheres, pra nós negros, pra nós de periferia, já não é uma opção”, acredita Samara, que foi também candidata a vereadora de Natal em 2020 e busca mais espaço para as mulheres na política.

Na análise da pré-candidata ao Senado, a política não foi pensada para as mulheres e o ato de ousadia das mulheres de adentrar nesse espaço ainda dói nos conservadores. Dos 81 senadores, 13 são mulheres, nenhuma negra e algumas não defendem as pautas da própria classe. Quatro homens se declararam negros.

Em toda a história do Rio Grande do Norte, apenas três mulheres chegaram ao Senado: Rosalba Ciarlini (ex-DEM, atual PP), Fátima Bezerra (PT), atual governadora, e Zenaide Maia (PR), desde 2019.

“O que a gente avalia é que as mulheres precisam ser inseridas na política de maneira geral. Não só na hora das eleições. E às vezes isso é usado oportunistamente, se essa palavra existe, pra poder no período das eleições filiar e candidatar mulheres pra ser aquele fake, pra fingir que o partido tá cumprindo a cota. Mas na vida real do partido elas não estão nas direções, não estão nos debates…”, provoca, ao conceder entrevista ao Programa Balbúrdia nesta segunda-feira (20).

No Senado, pretende denunciar e criar ações de combate ao racismo, ao fascismo, ao machismo e à violência contra as mulheres.

“Quando a gente debate a questão das mulheres e dos negros não é só identitarismo, ‘vamos votar nos nossos iguais’, mas por uma pauta que precisa ser levada e que até agora não é levada a cabo, porque não é vivida pela maioria dos que estão lá”.

De acordo com Samara, é com o objetivo de mudar a estrutura da política que lançam a pré-candidatura ao Senado pela UP e até à Presidência da República, com Leonardo Péricles.

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“É muito fácil para esses que não usam a saúde pública decidirem que vão congelar 10 anos/ 20 anos os recursos da educação e da saúde. É muito fácil pra esses que colocam os filhos na educação privada, e inclusive internacional, dizer que não tem problema cortar da educação ou transformar as universidades em universidades privadas, cobrando mensalidade”, constata, ao ressaltar a necessidade da organização de projetos políticos verdadeiramente populares.

Nas palavras de Samara, as pré-candidaturas da sua legenda têm o objetivo de organizar o povo pra enfrentar os que se mobilizam para o destruir.

“Nós não temos direito a tempo de TV, porque somos um partido novo e pequeno. Não tem nada de democrático, nem a tal da festa da democracia, porque nós não recebemos dinheiro de fundo partidário, não temos tempo de televisão e rádio. Nossa democracia é extremamente frágil. E existem grupos organizados pra golpear a nossa democracia”.

Confira o Programa Balbúrdia desta segunda-feira:

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais