CIDADANIA

Uma em cada três pessoas que vivem na América Latina estará na pobreza até o fim do ano, aponta Cepal

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) apresentou no início de junho de 2022, um novo relatório com previsões econômicas para a região. E os dados apontam um cenário assustador em curto prazo: 33% dos que vivem na região estarão em situação de pobreza. Desses, quase 15% estarão no triste grupo da pobreza extrema, ou seja, terão menos R$ 9 reais (1,90 dólares) por dia para viver. Outro dado avassalador: até dezembro de 2022, mais 8 milhões pessoas que vivem na região terão algum tipo de insegurança alimentar. É um aumento de quase 8% e ao final do ano a América Latina terá 94,4 milhões de pessoas que não vão conseguir fazer três refeições diárias.

Pelos dados, o Brasil estaria em 11º no ranking de pobreza na América Latina, com 21,4% da população atingida pelo triste cenário. No primeiro semestre de 2021, os estudos apontam que 17,5 milhões de famílias brasileiras vivem com renda per capita mensal de até R$ 105. e essa estatística vem aumentando em maior velocidade. Na América Latina, os países mais afetados pelo aumento da probreza serão Guatemala, que pode chegar a 49,5%da população; Nicarágua, com 46% da população em situação de pobreza; e a Colômbia, com 38%.

Para determinar a linha de extrema-pobreza, a ONU e o Banco Mundial têm como referência: US$ 1,90 por dia para países de renda baixa, US$ 3,20 por dia para países de renda média-baixa e US$ 5,50 para países de renda média-alta. Já a definição da linha da pobreza varia em cada país.

E esse cenário vai ocorrer mesmo com os dados apontando que a economia da América Latina vai crescer 1,8% até o final do ano. Ou seja, os países estarão mais ricos, mas a população, cada vez mais pobres. O estudo aponta três principais causas do aumento dessa desigualdade: a pandemia, a guerra na Ucrânia e as altas taxas inflacionárias em todo o mundo.

Pelos dados apresentados, a inflação acumulada no ano na América Latina foi de 8,1% (até maio) e, no Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresenta um número ainda pior: 11,73% no período. E os estudos mais recentes mostram que esse dados é ainda maior para os mais pobres.

A Cepal recomenda que os governos priorizem a segurança alimentar e afirma em nota que “Para isso não se deve restringir o comércio internacional de alimentos e fertilizantes, pois isso iria acelerar a inflação e prejudicaria os mais pobres”.

No Governo Bolsonaro, fome de alastrar e 33 milhões de brasileiros não têm o que comer

Entre 2020 e 2022, o número de pessoas que passam fome no Brasil saltou de 19 milhões para 33,1 milhões. É o que mostra o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira e mostram que mais da metade da população brasileira – 58,7% – vive com algum tipo de insegurança alimentar.

E mais: segundo analistas, os números apontam que o Brasil regrediu para um patamar de insegurança alimentar equivalente ao da década de 1990, ou seja, 15,5% da população no país não tem o que comer. Apenas quatro entre 10 famílias brasileiras têm acesso pleno à alimentação.

Os números são fruto da pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi, que realizou entrevistas em 12.745 domicílios de 577 municípios de todos os estados brasileiros. A pesquisa, que teve apoio da Ação da Cidadania, a ActionAid Brasil, a Fundação Friedrich Ebert Brasil, o Ibirapitanga, a Oxfam Brasil e o Sesc, coletou depoimentos entre novembro de 2021 e abril de 2022.

Os números mostram que 125,2 milhões de pessoas no Brasil estão passando por algum nível de insegurança alimentar. Essa classificação inclui pessoas que estão passando fome e aquelas que estão preocupadas por não saber se terão o que comer no dia seguinte. O número de pessoas nessa situação aumentou 7,2% desde 2020, e 60% desde 2018.

E a situação é ainda mais grave no Nordeste e Norte do Brasil, que são as mais atingidas pela fome. No Norte, 25,7% das famílias passam fome e no Nordeste esse índice é de 21%. Em números absolutos, o Nordeste registra mais pessoas com fome: são 12 milhões em situação de insegurança alimentar grave.

Ao serem entrevistadas, 8,2% das famílias relataram sentir vergonha, tristeza ou constrangimento pelos meios que estão tendo de usar para conseguir colocar comida na mesa. Segundo elas, “a situação fere sua dignidade”.

Famílias negras e chefiadas por mulheres são as mais atingidas pela fome

A pesquisa também destaca que as famílias negras e chefiadas por mulheres são as mais atingidas pela falta de comida. 65% dos domicílios comandados por pessoas pretas e pardas convivem com restrição de alimentos em qualquer nível; e 63% dos lares com responsáveis mulheres apresentaram algum patamar de insegurança alimentar.

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