DEMOCRACIA

Vítimas da ditatura em Mossoró e região são homenageadas com placas de rua

“A história que a história (oficial) não conta”. O verso do samba campeão da Estação Primeira de Mangueira em 2019 é uma das inspirações para a intervenção urbana que o setorial de Direitos Humanos do PT no Rio Grande do Norte vem realizando pelo Estado. Nesta sexta-feira (3), um grupo de ativistas liderado pela advogada Rayane Andrade homenageou 13 presos, mortos e desaparecidos políticos de Mossoró e região que lutaram na defesa da classe trabalhadora. Ação é uma parceria com a Pós-TV DHNet, que completa 1 ano de ativismo neste sábado (4).

O projeto foi batizado de “Placas para contar histórias” e começou em abril, em Natal, quando outros 13 homens e mulheres foram lembrados pelos atos de bravura em defesa da democracia e do país, entre eles os comunistas Emanoel Bezerra, Luíz Ignácio Maranhão Filho e Glênio Sá, único potiguar a lutar na mítica Guerrilha do Araguaia, principal ação de luta armada no campo contra a ditadura.

As placas vermelhas com o nome e um curto perfil do homenageado foram espalhados por espaços de resistência em Mossoró.

– Os nomes que relembramos nas plaquinhas vermelhas são uma demarcação contra a política de esquecimento que as classes dominantes nos impõe. É necessário questionar por que monumentos e avenidas importantes são nomeadas por pessoas que contribuíram para a barbárie que vivemos hoje. A luta pela memória e verdade envolve destacar a vida dessas personagens. É uma luta contra a invisibilidade da classe trabalhadora e de sua resistência”.

Rayane Andrade, pré-candidata a deputada estadual pelo PT

Durante a manifestação, os ativistas visitaram a biblioteca do Sindicato dos Servidores Públicos de Mossoró, espaço onde funcionou a antiga Liga Operária.

– Tivemos a enorme satisfação de encontrar o companheiro Gilberto Diógenes que abriu a biblioteca do Sindiserpum, que se localiza no mesmo prédio que funcionou a Liga operária, pra contar um pouco da história desses homens e mulheres que tanto nos inspiram”, destacou Rayane.

Ativistas espalharam placas em pontos estratégicos e de resistência em Mossoró (RN) / foto: cedida

Anatália Alves e Joel Paulista entre os homenageados

Entre os 13 potiguares de Mossoró e região que tiveram a memória celebrada, a coordenadora do setorial de Direitos Humanos do PT citou os militantes Joel Paulista e Anatália Alves.

Joel é originário da luta operária do Sal e, junto com Chico Guilherme, criou a Associação dos trabalhadores da extração do Sal e também se uniu ao Sindicato do Garrancho, que promovia reuniões com os trabalhadores, sempre com medo dos capangas armados dos salineiros. Perseguido e Preso, militou até sua morte pela causa dos operários

Já Anatália Alves, assassinada pela ditadura, foi uma das responsáveis por criar a Associação das Costureiras em Goiana. A potiguar integrou a Aliança Libertadora Nacional, organização liderada por Carlos Marighela, e em um cerco, e foi barbaramente torturada na prisão. Anatália se negou a fornecer qualquer tipo de informação aos militares mesmo sob a selvageria a que foi submetida. No dia 22 de Janeiro de 1973, depois de novamente estuprada, teve seu púbis queimado e foi assassinada no DOI CODI do IV Exército de PE, que divulgou como motivo da morte um “suicídio”.

Confira os homenageados em Mossoró e região

Manoel Torquato
Líder da guerrilha do garrancho

Raimundo Reginaldo
Fundador do PCB de Mossoró

Lauro Reginaldo
Secretario Geral do PCB

Amélia Reginaldo
Criadora da Liga Feminista e perseguida politica

Chico Guilherme
Sindicalista e preso político

Joel Paulista
Militante e perseguido político

Francisco Meneleu
Gráfico de “A Liberdade” preso político

Luiz Alves
Preso Politico militante do PCBR

Anatalia Alves
Assassinada pela Ditadura

Francisco João de Oliveira
Secretario de agitação do PCB

Manuel Feitosa
Militante politico

Francisco Florêncio
Militante político

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"