OPINIÃO

Campanha ao Governo no RN: oposição monotemática, tediosa e perdida

No cenário nacional, as pesquisas de intenção de voto mostram um quadro estável e quase petrificado na corrida presidencial com Lula liderando e com possibilidades reais de vencer em primeiro turno e Bolsonaro com sua margem sólida de 30% para 35% com os demais comendo poeira (Ciro Gomes) ou inexpressivos mesmo (Simone Tebet). Em meio a este tédio em termos numéricos, o suspense fica mesmo pelas insinuações de golpe do despresidente e seus ataques quase diários à democracia e às instituições.

No Rio Grande do Norte a corrida para o Governo do Estado também se mostra bem tediosa, a julgar pelas mesmas pesquisas de intenção de voto. A governadora Fátima Bezerra lidera com margem todas as pesquisas e em quase todas com possibilidades, dentro da margem de erro, de vitória ainda em primeiro turno. Não obstante a boa gestão da petista, que pegou o Estado em frangalhos, e ter colocado em sua as quatro folhas salariais dos servidores deixadas pelo seu antecessor Robinson Faria, o fato é que, ao contrário do cenário nacional, no RN o outro lado da disputa se mostra perdido e batendo em uma tecla apenas, monotemático mesmo, além das nuances que beiram a bizarrice.

A oposição “oficial” em solo potiguar é representada não pelo candidato a governador, Fábio Dantas, mas pelo candidato ao Senado, ex-ministro Rogério Marinho. Este, ex-deputado federal de triste lembrança para os trabalhadores brasileiros, posto que relator da Reforma Trabalhista, se agarra à adesão ao bolsonarismo para tentar chegar ao Senado e sobreviver politicamente, disputando a vaga única contra o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, no que parece ser a disputa real e acirrada desta eleição do Rio Grande do Norte,

Porque Fábio Dantas vem se mostrando monotemático e insosso. Ungido candidato de oposição mais pela falta de nomes fortes (o bolsonarismo tentou com Ezequiel Ferreira de Souza e Álvaro Dias) do que por seus talentos políticos, Fábio vem batendo em uma tecla só: uma suposta incompetência da governadora Fátima Bezerra e que o RN precisa ser arrumado. O discurso de Dantas esbarra na verdade: Fátima herdou o estado em farrapos e com o funcionalismo em atraso deixados justamente pelo governo onde Fábio era vice-governador (tendo rompido com Robinson apenas no último ano de gestão). Claro que o eleitor percebe essa falha gritante no discurso, o que se reflete nas pesquisas.

Para piorar, Fábio é um candidato do bolsonarismo – única força política atual capaz de fazer frente ao petismo/lulismo – mas sem se assumir como tal, ou seja, vota em Bolsonaro, mas não é bolsonarista, como já declarou algumas vezes. Tanto que até evita receber o despresidente quando este vem a solo potiguar. Essa incoerência não agrega um único voto a Fábio de tendência esquerdista e ainda tira votos bolsonaristas, além de afastar apoios.

Outro oposicionista monotemático é o deputado estadual Kelps Lima, que estava licenciado para se dedicar à campanha mas que voltará à ALRN para evitar que seu suplente, Michael Diniz, continue destilando preconceitos e discursos de ódio semanalmente, como vem fazendo e arrisque ter o mandato cassado e queimando o partido. Kelps só tem ou tinha um tema de entrevistas e uma bandeira de campanha: que o governo Fátima era corrupto por causa da compra fraudulenta dos respiradores durante a pandemia. Com a quebra dessa narrativa, pelo MP, pela Justiça, pela imprensa, Kelps ficou sem assunto, embora indique que vai insistir nisso. Se bobear, com narrativa tão tediosa e estapafúrdia, ainda perde a vaga de federal para Lawrence Amorim.

Por fim, resta o senador Styvenson Valentim, que ninguém sabe se será candidato ao governo ou não, já que depois de humilhar publicamente seu partido, o Podemos, por diversas vezes, sentenciou que só disputará o cargo se a mãe dele permitir. Enfim, Styvenson também só bate em uma tecla: ele é honesto e todos os outros políticos são ladrões. Ponto. Perguntado sobre Educação, Saúde, Infraestrutura? Ela responde que os outros são desonestos e por isso não resolvem, mas como ele é honesto, vai resolver. E fim de papo.

Enfim, uma oposição dos sonhos para Fátima Bezerra. Monotemática, perdida mesmo, entre narrativas inconsistentes, incoerências, apostas em cavalos paraguaios e no caso de Styvenson, uma antipolítica tediosa que não vem mais agradando ao eleitor, cansado do que “não-política” consolidada na eleição de 2018 mas presente no país desde os movimentos pelo impeachment de Dilma, trouxeram: inflação, crise econômica, combustível caro etc etc etc.

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