Sem categoria

Comunidade acusa PM de balear e plantar provas para incriminar jovem em Natal

A violência policial voltou a ser alvo de ato público em Natal nesta terça-feira (26). Moradores do bairro Santos Reis, foram às ruas pedir respeito para a comunidade. No domingo (24), Gleveson César, de 24 anos, conhecido como Macaquinho, foi atingido por três disparos da Polícia Militar.

De acordo com populares, que chamaram atenção para o crime colocando fogo na rua, após feri-lo os agentes da operação colocaram balança de precisão e drogas na roupa dele.

Segundo a mãe de Gleveson, a dona de casa Luciene Nascimento de Oliveira, por volta das 2h da madrugada, o jovem voltava de uma festa com quatro amigos e sentou na calçada de uma igreja para terminar a bebida que levavam. Segundo as informações que recebeu, os policiais chegaram atirando.

“Ele embriagado, sem ter como se defender, atiraram no meu filho (…) A polícia deixou ele no Hospital Walfredo Gurgel e até hoje não pude visitar”, conta ela, que esteve na unidade de saúde no mesmo dia e na segunda-feira junto com o marido, que é vigilante. Só o viu de longe, algemado e por acaso, enquanto o transferiam de setor, já que pacientes custodiados não recebem visitas.

“Quando abriram o elevador, o pai dele disse ‘olha ele ali’. Soube que a cirurgia foi porque uma bala atingiu o pulmão e deu pra ver que outra foi no ombro porque tinha um pano. A outra não sei onde foi”.

Luciene conseguiu falar com uma assistente social e com um agente da polícia, que lhe disse pra voltar somente no próximo sábado, levando duas camisetas brancas, dois calções azuis, duas cuecas brancas e uma toalha branca. Ao receber alta, ele vai direto para alguma unidade prisional.

A Agência SAIBA MAIS tentou saber o estado de saúde de Gleveson, mas informações de pacientes só podem ser repassadas com autorização da família.

“Macaquinho é muito conhecido por trabalhar na praia. O pessoal das Ocupações Emmanuel Bezerra e Palmares também conhece ele. É de uma família trabalhadora. Não tem condições de pagar advogado. E não estão dando muitas informações”, contou a coordenadora no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) Bianca Soares, que marcou presença no ato.

“O que ele faz de errado é a cachaça dele. Quem quiser saber do comportamento dele, pode perguntar nas barracas da Praia do Forte que todo mundo diz. Ele não é vagabundo. Todo mundo vai dizer coisa de bem”, disse Luciene.

Procurada, a assessoria da PMRn disse que “A Polícia Militar informou que vai abrir um procedimento para averiguar e checar todas as informações do fato.”

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais