DEMOCRACIA

Militar aposentado critica Policiais Antifascismo e delegado rebate: “discurso falacioso”

O Movimento de Policiais Antifascismo rebateu as críticas feitas pelo tenente-coronel aposentado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Rodrigo Trigueiro, que os chamou de “patrulha vermelha” e se disse perseguido. As declarações do militar vieram em um programa de rádio nesta semana, em que tentou atribuir sua aposentadoria aos policiais antifascistas.

Para Trigueiro, a “perseguição” teria começado em 2019, quando fez uma publicação nas redes sociais em uma confraternização. O local era o Recanto do Guerreiro, um ponto de encontro de policiais que frequentam um clube de tiro. Numa foto com comida e bebidas alcóolicas, ele teria ainda feito ameaças a integrantes do Movimento Policiais Antifascismo.

Os policiais antifascismo, então, teriam reagido à publicação. Segundo Fernando Alves, delegado da Polícia Civil e militante do movimento, Trigueiro teria feito ameaças veladas e xingado membros do grupo.

“Ele se valeu das redes sociais para tecer ameaças veladas, postando foto com armas de fogo, chamando os integrantes do meu grupo de patrulha vermelha, insultando os meus companheiros com palavrões”, disse o delegado.

Apesar de se dizer vítima, Rodrigo Trigueiro coleciona polêmicas e ameaças a militantes e personalidades de esquerda, como o ex-presidente Lula (PT). Em fevereiro deste ano, ele postou nas redes sociais uma foto de um alvo com a imagem do petista. “Novo modelo de alvo, é só imprimir e fogo à vontade. A guerra faz começar!”, dizia a legenda da publicação. 

“Você colocar um alvo com a foto do ex-presidente Lula, para mim é uma ameaça. Você comete condutas, mesmo que pelo meio virtual, em que pelo Código Penal podem ser tidas como delituosas. Ele acaba sendo responsabilizado tanto administrativamente quanto penalmente, e gerando até mesmo indenização civil. Foi o que aconteceu com ele”, diz Fernando Alves.

O próprio Trigueiro reconheceu no programa de rádio que a imagem era um estímulo à violência. “Eu escrevi. Reconheço que incita a violência”. Apesar de se dizer perseguido, o militar, que já comandou o Batalhão de Choque, afirmou que a aposentadoria compulsória foi por tempo de serviço. 

“Completei os 30 anos de serviço como efetivo na Polícia Militar. Entrei no dia 22 de fevereiro de 1992, e no dia 31 de janeiro de 2022 completei 30 anos. Eu requeri a minha promoção para abril desse ano, e a lei diz que quando você é promovido por requerimento, 90 dias depois é colocado para reserva”, justificou.

Na mesma entrevista, Trigueiro disse que os Policiais Antifascismo “quebram disciplina porque as Forças Armadas e de segurança se mantém num viés conservador de tradições”. A fala é rebatida por Fernando Alves, que atribui o “viés conservador” aos tempos de ditadura. 

“As Forças Armadas Brasileiras hoje estão totalmente imbuídas nos ideais da Constituição de 1988. Ela prega o respeito à democracia, ao estado democrático, à separação de poderes, o respeito ao limite do uso da força, o respeito aos princípios da legalidade, da proporcionalidade”, afirma. 

“Essas são as Forças Armadas que eu acredito, e não as Forças Armadas ao qual o Trigueiro faz referência, que são as forças armadas de um período anacrônico, escuro e tenebroso da nossa história. E talvez ele tenha saudade disso, mas eu não tenho”.

Para Alves, a declaração de Trigueiro é distorcida. “A fala dele é totalmente desfocada porque ele faz referência às Forças Armadas que, do ponto de vista constitucional, não existem. As Forças Armadas e a Polícia Militar tem sua tradição sim, e tem que ser respeitada, mas uma tradição que respeite mais ainda valores democráticos”, pontua. 

“Porque senão, aí sim, vamos ter as Forças Armadas anacrônicas, ditatoriais, autoritárias que não correspondem hoje nem a metade do oficialato que vai sim votar em Lula. Essa é a verdade. Metade do oficialato brasileiro das FA vai votar em Lula para presidente. É isso que Trigueiro não deve engolir, mas a verdade é essa”. 

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