CIDADANIA

Praias da Região Metropolitana e Rio Pirangi/Pium têm maiores índices de contaminação em mais de 20 anos de monitoramento

A análise de balneabilidade referente à primeira semana de julho na região Metropolitana do Rio Grande do Norte apontou índices recordes de contaminação das águas nas praias em toda a série histórica do Programa Água Azul, que tem quase 22 anos. O monitoramento é uma parceria entre Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Norte (Idema), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRN) e Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do RN (Funcern).

Quinze pontos dos 33 avaliados nos municípios de Nísia Floresta, Parnamirim, Natal e Extremoz estavam impróprias para banho, de acordo com o boletim Nº 25/2022. A grande quantidade de coliformes fecais encontrados se deve às fortes chuvas, segundo explica o coordenador do Programa, o doutor em Geologia Costeira e Ambiental e professor aposentado do IFRN Ronaldo Diniz.

Pirangi do Norte; Ponta Negra, no acesso principal e no Morro do Careca; Via Costeira (Cacimba do Boi); Miami; Areia Preta; do Meio; Forte; Redinha, no Rio Potengi e na região da Igreja; e Barra do Rio estavam impróprias segundo a pesquisa.

Chama atenção o Rio Pirangi/Pium, que nos três pontos investigados teve também as águas consideradas impróprias, com uma das piores classificações de balneabilidade do monitoramento. Os índices variaram entre 1.400 e 9.200 coliformes totais por 100 mL de água.

O especialista ressalta que é comum o aumento da contaminação em período chuvoso, mas também é possível que o transbordamento da Estação de Tratamento tenha contribuído para o agravamento do quadro.

“Independente do rompimento ou não do reservatório, estaria pior, porque as chuvas lavam sarjetas, esgotos, galerias, e levam rio abaixo. Constatamos sim uma piora substancial. Esperamos que cessadas essas chuvas comece a melhorar a qualidade do rio e que no próximo boletim, que será divulgado na tarde da sexta, não que volte à normalidade, mas que apresente uma qualidade bem melhor”, detalha Ronaldo Diniz.

Parede da ETE Pium rompida I Foto: cedida
Parede da ETE Pium rompida I Foto: cedida

O professor também explica que o Pium é um afluente do Pirangi e corta uma área urbana onde são gerados muito dejetos. Por essa razão, de qualquer maneira, a água não estaria potável.

São os rios os mais afetados e as praias contaminadas estão próximas a eles, como Redinha e Pirangi: “Os rios são quem primeiro recebem as águas contaminadas e levam às praias. Toda região metropolitana, Natal não é diferente, tem uma geração maior de resíduos. E no Brasil esse sistema de tratamento de saneamento básico é deficitário”, destaca.

Caern nega contaminação decorrente de esgotos

A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) emitiu nota nesta quinta-feira (14) em que contaminação das águas por esgoto. Segundo a Companhia, foram realizadas coletas de amostras no rio Pium na quarta-feira (6) e “os resultados demonstram que as amostras coletadas têm características de água de rio, e, portanto, não houve constatação de contaminação por esgotos”.

“As amostras foram analisadas pelo laboratório da Funcern e foram equivalentes aos resultados das coletas de monitoramento que são realizadas rotineiramente pela Caern. Além das análises, a Companhia vem tomando todos os cuidados e fazendo o controle para detectar os impactos, com vôos de drone e visitas técnicas para levantamento preciso de possíveis danos, e não foi encontrado nenhum vestígio de esgoto no rio”, completa o comunicado.

SAIBA MAIS: Vídeo: Com lonas de proteção rasgadas, moradores denunciam que ETE Pium continua contaminando solo e rio da região

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais