DEMOCRACIA

A contradição de Rafael Motta sobre voto pró-impeachment de Dilma

Marcado por eleitores e criticado por adversários progressistas por ter votado favorável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015, o deputado federal Rafael Motta (PSB) fez um “mea culpa” em entrevista à rádio 98 FM. Na conversa, o agora candidato a senador disse que, à época, o “sim” à investigação, que depois culminou no processo dentro do Senado e com a deposição da presidente, foi por obedecimento ao PSB e que se sentiu desconfortável.

“Se eu falar pra você que foi uma situação confortável para mim, não foi. E naquele momento o partido fechou questão para fazer investigação e a gente votou favorável. Aí o Senado fez o trabalho da questão do impeachment. Só que quando eu vi o que tinha acontecido, não tive problema nenhum em falar que tive um arrependimento naquele momento, porque a gente viu que o governo Temer era um governo completamente reformista e contrário aos trabalhadores brasileiros”, disse Motta.

“Então eu imediatamente mudei de posição, porque é muito fácil você aderir à situação. Agora, para você ter coragem, você tem que ser oposição”, frisou o deputado, afirmando que o PSB também votou favorável ao prosseguimento de investigação contra Michel Temer em 2017, que foi barrada pela Câmara. 

O trecho da entrevista foi publicado pelo deputado nas redes sociais. Na legenda da publicação, Rafael disse ainda que o “Brasil viveu tempos sombrios quando Temer assumiu o poder, com as reformas que lutei tanto para derrubar”. Segundo ele, o contexto pós-impeachment “deixou muito claro que haviam dois lados no nosso país. E nas trincheiras do povo, encontrei o meu lugar”. 

Em 2020, porém, a posição do candidato era outra. Em entrevista à Agência Saiba Mais em dezembro daquele ano, Motta foi questionado se teria se arrependido do voto que depois depôs Dilma e disse que “acho que não”. Diferente de agora, quando afirmou que seguiu orientação da sigla e que se arrepende, o deputado pontuou que teria votado de “forma técnica”.

“Ali o meu voto foi baseado exclusivamente de forma técnica. Era algo que estava explícito na Constituição e acabei seguindo a Constituição. Tanto que na minha defesa de voto não dediquei à família, à esposa, à mãe, a seu ninguém, fiz uma dedicatória baseada no que estava na Constituição. E a gente fez uma abertura de análise, então não foi a Câmara que praticou o impeachment”, afirmou o deputado. 

Na mesma resposta, Rafael Motta comentou sobre o ascenso de Bolsonaro que, para muita gente, teria começado a partir do impeachment. “Naquele momento realmente houve uma nova dinâmica na cabeça das pessoas, dos brasileiros. Houve vários votos políticos de fato, houve diversos partidos que davam suporte político que mudou do dia para a noite, por questões que não sei. Houve um enfraquecimento da esquerda”, reconheceu.

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