Astrofísico da UFRN integra equipe que descobriu exoplaneta coberto por água
Natal, RN 16 de jun 2024

Astrofísico da UFRN integra equipe que descobriu exoplaneta coberto por água

29 de agosto de 2022
6min
Astrofísico da UFRN integra equipe que descobriu exoplaneta coberto por água

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Diante das guerras, fome, injustiças e desigualdades sociais, a vida parece não ser valorizada com a preciosidade devida. As pesquisas sobre a diversidade cósmica têm demonstrado quão raros podem ser os parâmetros encontrados aqui na Terra para o desenvolvimento da vida. A mais recente esperança está no o TOI-1452b, exoplaneta que está sendo chamado de “super-Terra” ou “planeta-oceano”, por ser coberto de água e distante o suficiente de sua estrela para permitir supor a existência de vida nele.

A arquitetura vista no nosso sistema solar é rara. Detectar exoplanetas diferentes é a chave para inferir as limitações do conhecimento humano sobre como nosso sistema planetário surgiu e evoluiu”, comenta o astrônomo José Dias do Nascimento Júnior, o brasileiro que integra a pesquisa.

https://youtu.be/yBlYGG6V1bI

A descoberta foi anunciada neste mês de agosto por um grupo internacional de astrofísicos que conta com a participação José Dias, que também lidera o Grupo de Estrutura, Evolução Estelar e Exoplanetas (Ge3), do Departamento Física Teórica e Experimental (DFTE/UFRN), e é pesquisador do Center for Astrophysics, de Harvard (EUA).

O TOI-1452b é, provavelmente, um planeta rochoso como a Terra, mas seu raio, massa e densidade sugerem um mundo diferente do nosso”, avalia Dias.

O exoplaneta fica localizado a 100 mil anos-luz de onde estamos e a água pode representar 22% de sua massa, uma proporção semelhante à das luas de Júpiter – Ganimedes e Calisto – e das luas de Saturno – Titã e Encélado. Dias explica que o TOI-1452b tem 1.67 vez o raio da Terra e uma órbita de 11 dias em torno de uma estrela anã M. A descoberta foi possível graças ao SPIRou, instrumento caçador de novos mundos que utiliza a luz no infravermelho do Telescópio Canadá – França – Havaí Telescope (CFHT), instalado no cume da montanha Maunakea, no Havaí (EUA). O trabalho e as especificações do exoplaneta foram publicados no centenário periódico The Astronomical Journal.

O astrônomo da UFRN e seu time (Ge3),que estudam a evolução das estrelas, sua estrutura e exoplanetas, têm trabalhado na caça de planetas extra solares, entre outros temas, e possuem várias descobertas publicadas nos últimos anos. O novo achado soma-se aos anteriores, descobertos pelo grupo, como o TOI-257b (HD 19916) e o Saturno quente TOI 197b.

José Dias do Nascimento, pesquisador representante da UFRN na descoberta I Foto: Arquivo pessoal
José Dias do Nascimento, pesquisador representante da UFRN na descoberta I Foto: Arquivo pessoal

Esta é uma descoberta importante para nosso grupo na UFRN, pois, em pouco menos de três anos, estamos anunciando o quarto exoplaneta com nossa participação. O anterior foi o TOI-257b, que é um exemplo do que chamamos de ‘sub-Saturnos’, planetas maiores que Netuno e menores que Saturno. Agora estamos revelando uma super-Terra. Esses astros são ausentes na arquitetura do nosso Sistema Solar, apesar de possíveis”, revela José Dias.

Em lições aprendidas com os exoplanetas, José-Dias do Nascimento afirma que o universo é um lugar peculiar e diverso, com muitos tipos de corpos celestes. “Existem os sub-Saturnos, as super-Terras e os mini-Netunos. Esses não existem no nosso quintal, o Sistema Solar, e descobertas assim revelam a diversidade cósmica residual”, reforça. O pesquisador da UFRN adianta que os dados mostram, ainda, resultados que devem seguir nos próximos artigos, já que o instrumento SPIRou é o único no mundo que vai além de um caçador de exoplanetas, pois é também um caracterizador do magnetismo estelar.

CFHT (esquerda) no Mauna Kea. Parte da coleção de grandes telescópios astronômicos localizadas no cume do vulcão na Grande Ilha do Arquipélago do Havaí, EUA – Foto: CFHT
CFHT (esquerda) no Mauna Kea. Parte da coleção de grandes telescópios astronômicos localizadas no cume do vulcão na Grande Ilha do Arquipélago do Havaí, EUA I Foto: CFHT

As super-Terras

Uma super-Terra é um planeta extra-solar com uma massa maior do que a da Terra, mas substancialmente inferior à massa dos gigantes de gelo do Sistema Solar: Urano e Netuno. Podem ser feitos de gás, rocha ou uma combinação de ambos. Eles têm entre o dobro do tamanho do nosso astro e até 10 vezes a sua massa.

O termo “super-Terra” refere-se apenas à massa do planeta e, portanto, não implica nada sobre as condições de habitabilidade. Esses rochosos são abundantes em nossa Galáxia e são, ainda, os mais prováveis ​​de serem habitáveis. Entender melhor sobre sua estrutura interior tem ajudado a prever, por exemplo, se diferentes planetas são capazes de gerar campos magnéticos – considerados fundamentais para a sobrevivência.

SPIRou: o caçador de Exoplanetas 

SPIrou durante sua integração na sala dos instrumentos, CFHT no Havaí – Foto: Sébastien Chastanet – OMP/IRAP/CNRS
SPIrou durante sua integração na sala dos instrumentos, CFHT no Havaí I Foto: Sébastien Chastanet – OMP/IRAP/CNRS

SPIRou (InfraRed SpectroPolarimeter) é um instrumento astronômico especializado em observações no infravermelho próximo e projetado para detectar e caracterizar sistemas exoplanetários vizinhos do nosso Sistema Solar, além de observar o nascimento de estrelas e planetas. Instalado no Telescópio Canadá-França-Havaí (CFHT) desde o início de 2018, já realizou muitas detecções.

Outros instrumentos em construção devem aparecer após o SPIRou, embora este tenha sido o primeiro a observar e utilizar a espectroscopia no infravermelho para “ver” mais longe. O projeto intitulado Exploração dos Novos Mundos é parte das ações do Observatório Midi Pyrenees, da Universidade Toulouse III – Paul Sabatier, com colaboração da UFRN.

O SPIRou é gerido no âmbito de um consórcio internacional liderado pela França, associado ao CFHT, Canadá, Suíça, Brasil, Taiwan e Portugal. Localizado em um dos melhores sites astronômicos do mundo, o instrumento saiu na frente e mostra o caminho para outros telescópios.

*Com informações da UFRN.

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