CIDADANIA

Campanha “Não Troque o Seu Voto” retorna às ruas pelo voto consciente e combate à sede e fome no Semiárido

Campanha Não Troque o Seu Voto I Foto: Agência Quintal - Acervo ASA

O voto já foi trocado por milheiro de tijolos, dinheiro, promessa de emprego e até mesmo por água. Sim, numa região onde ela é tão escassa quanto preciosa, barganhar voto por esse bem comum é uma prática histórica na região também conhecida como clientelismo. Para evitar a repetição desse ciclo, que a “Campanha Não Troque o Seu Voto” retornou às ruas nesta segunda (15). Em sua sexta edição, a mobilização defende o voto em programas de governo que considerem o desenvolvimento, por meio da garantia do acesso à cidadania das famílias agricultoras do Semiárido.

Atualmente, um milhão de pessoas ainda não têm acesso à água potável no Semiárido nordestino. Em todo o Brasil, a fome atinge 33,1 milhões de pessoas, de acordo com o 2º Inquérito VIGISAN. Uma situação que é terreno fértil para as tentativas de compra de voto. A campanha deste ano é orientada por diretrizes frutos de um debate político, mobilizado pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), durante a sua primeira plenária nacional realizada presencialmente, no final de maio deste ano, envolvendo representações de organizações membro dos dez estados do Semiárido.

Na ocasião, foram discutidos problemas relacionados à escassez hídrica, à fome, à insegurança alimentar e à violência contra a mulher rural, dentre outros temas. As propostas de políticas públicas para combater esses problemas estão reunidas na carta “ASA por um Semiárido vivo”. Esse documento, além de orientar a pauta política das organizações nestas eleições, tem sido usado como ferramenta de negociação com candidatos e candidatas às eleições de 2022.

Como o combate às desigualdades sociais na região semiárida depende de ações sistemáticas e não pontuais, a mensagem da campanha defende e orienta o voto em projetos de governos alicerçados no bem estar social, de retorno dos programas de acesso à água, apoio à agricultura familiar agroecológica, de recuperação da Caatinga e do Cerrado, em defesa dos quintais produtivos, da produção e armazenamento de sementes, além do combate à violência contra a mulher rural. A importância de votar em mulheres comprometidas com mulheres é outra preocupação. A ideia é ampliar a presença feminina no Congresso Nacional, que hoje está restrita a 15%, e no Senado Federal, que não ultrapassa 13%, além dos poderes executivos estaduais.

Os conteúdos serão veiculados em formato de spots, vídeos, entrevistas e trabalhados em ações nas redes sociais. Os materiais serão compartilhados com a Rede de Comunicadores/as Populares da ASA, ligados às mais de três mil organizações e membros que têm acesso às famílias rurais, localizadas nas comunidades mais remotas. Essa rede, mais do que acesso, possui a confiança e cultiva um diálogo estreito com essas famílias, o que facilita o compartilhamento, mas também a compreensão das mensagens.

Campanha Não Troque Seu Voto I Imagem: ASA
Campanha Não Troque Seu Voto I Imagem: ASA

O início…

Em 2012, ano no qual a “Campanha não troque o seu voto por água” estreou, a presença das cisternas nas vidas das famílias já era uma realidade e a região semiárida já caminhava rumo à meta de 1 milhão de tecnologias implementadas. Essas implementações aconteceram por meio de políticas públicas de governo e mostraram que a água era um direito e não um favor. As famílias já desfrutavam da autonomia hídrica e política. Essa, inclusive, era a mensagem central da primeira edição da campanha “Não Troque Seu Voto por Água. A Água É Um Direito Seu!”.

As peças traziam dados sobre as conquistas sociais alcançadas pela população, de forma democrática, como também orientava a pesquisar, analisar e votar apenas em candidatos e candidatas comprometido/as com políticas públicas voltadas à agricultura familiar, a agroecologia e à convivência com o Semiárido de um modo geral. Já em 2018, com a mudança no cenário político, a Campanha ampliou a sua abordagem e passou a se chamar “Campanha Não Troque o Seu Voto”. A ideia dialoga com o contexto político da época, marcado pela redução de investimentos em políticas de bem estar social, por meio da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional nº 95. Naquele ano, o Programa Cisternas já enfrentava os cortes mais drásticos de orçamento registrados desde 2015.

Além disso, o Brasil havia retornado ao Mapa da Fome, o que significa que mais de 2,5% do total da população se encontrava em situação de insegurança alimentar grave. Com o agravamento das desigualdades sociais, a população ficou mais vulnerável e, muito mais do que a troca do voto por água, havia o risco de aliciamento de políticos clientelistas ofertando cestas básicas e até o pagamento de contas de luz. Agora, a preocupação também foi estendida às questões como a democracia e a importância de votar para que este sistema mantenha-se fortalecido, pela  manutenção das conquistas sociais, pelo caminho das políticas públicas de governo, além da importância de ampliar a representatividade nas composições das casas legislativas e executivas, elegendo mulheres, negros e negras e pessoas LGBTQIA +.

 

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