ENTREVISTA

Candidato a deputado federal, Alexandre Motta defende mais verbas para SUS: “não pode continuar subfinanciado”

Aos 58 anos, Alexandre Motta concorre pela segunda vez a uma eleição pelo PT. Em 2018, representou o partido na busca de uma cadeira no Senado, e agora tenta ser eleito deputado federal. Médico infectologista, ele quer utilizar o espaço na Câmara Federal, caso eleito, para continuar defendendo o SUS e a revogação da Emenda Constitucional 95, do Teto de Gastos. 

“A Emenda do Teto de Gastos precisa ser revogada. Não dá para continuar enfrentando epidemia ou pandemias, enfrentando os graves problemas nacionais que a gente tem, com essa lorota de que você congela 20 anos de saúde e educação sob a premissa de que com isso vai economizar e melhorar a inflação. O resultado do governo Bolsonaro é o maior exemplo de que isso é uma grande falácia”, apontou, em entrevista ao programa Balbúrdia desta segunda-feira (22).

Segundo o médico, o desejo de ser candidato veio a partir do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff “Aquilo me levou a uma indignação profunda, porque eu sabia que era literalmente um golpe, porque não havia crime de responsabilidade e não se justificaria. Dilma perde e sofre o que sofreu pelas suas qualidades, não por seus defeitos”, afirma.

Hoje, para Motta, a disputa no país é pela continuidade da democracia. “Existe uma luta pelas garantias democráticas no Brasil. Uma luta para que o Brasil deixe de vivenciar um governo da barbárie, e entendo que o papel agora é construir bancada”.

Para isso, disse ele, era necessário que o partido colocasse os filiados de maior inserção dentro da sociedade. “Nós nunca estivemos em condições tão favoráveis”, apontou, relacionando com as pesquisas que apontam a liderança de Lula no Brasil e da governadora Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte.

Ao longo da pandemia, Alexandre Motta gravou diversos vídeos em que comentava sobre a doença e falava sobre política. “O meu papel na pandemia foi além do atendimento às pessoas, mas foi um papel que ajudou a formular na cabeça das pessoas a melhor conduta de enfrentamento da crise”, afirmou. Atuando na UTI do Hospital Giselda Trigueiro e também no Hospital Walfredo Gurgel, carrega uma postura crítica aos colegas de profissão e às entidades da medicina.

“As entidades médicas foram sequestradas em favor de uma narrativa anti-PT. Inicialmente anti-PT, e agora o Conselho Federal de Medicina se coloca a reboque de tudo o que Bolsonaro fizer, mesmo que ele imite uma pessoa morrendo com falta de ar”, condena. “O Conselho não se posiciona e não toma uma decisão sobre as orientações nocivas sobre a Covid. O comportamento do presidente é abjeto. A demora na compra da vacina é abjeta. Recomendar medicamentos sem eficácia também é abjeto”, desaprovou.

Outro ponto importante, de acordo com o petista, é tirar espaço do Centrão. Ele vê a eleição de parlamentares progressistas como forma de ajudar a formar a base de um futuro governo Lula, caso o ex-presidente, líder nas pesquisas, retorne ao Planalto. “A eleição de um deputado do PT ou de um deputado progressista significa um deputado a menos do Centrão. O Centrão hoje domina a pauta política e a pauta orçamentária. O Centrão criou uma aberração referendada por Bolsonaro chamada ‘orçamento secreto’”, criticou.

“A primeira coisa que a gente precisa pensar é que o Centrão precisa ser derrotado, ou minimizada a sua força, porque não devemos pensar que Lula vai fazer alguma coisa sozinho. Não vai”, analisou.

Assista a entrevista na íntegra:

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