OPINIÃO

Deputada Federal : chegou a hora das nossas escolhas

Por Wellington Duarte 

O desespero político do Mandrião, ciente das suas dificuldades em renovar o seu mandato e, por conseguinte, manter sua horda minando o Estado brasileiro, tem provocado ações desastrosas, especialmente na área da economia, e que deixará, sem dúvida, um sombrio legado, tendo o futuro governo de lidar com essa catástrofe que se iniciou em abril de 2016 e foi acirrada a partir de 2019.

E nesse contexto, as eleições para o Senado e especialmente para a Câmara de Deputados, assumem uma importância sem precedentes, já que há em curso um projeto de fascistização do regime, o sonho de Bolsonaro.

Mas, o que faz um deputado federal? Legislar e fiscalizar. É de praxe que candidatos(as) à Câmara de Deputados se apresentem com propostas malucas e volta e meia, apresentando ao eleitor uma falsa imagem do que ele pode fazer em Brasília. Não é incomum o(a) candidata(o) propor ações que simplesmente fogem da sua alçada.
São 513 deputados federais e 8 deles são representantes dos eleitores do RN e aqui começamos a definir se queremos uma bancada que tenha um perfil mais progressista ou se manteremos a maldição da política potiguar, de só elegermos figuras patéticas.

Nas primeiras eleições, em 15 de novembro de 1986, as primeiras depois de oficialmente encerrada a Ditadura Militar, a bancada do RN era formada por 4 deputados do PMDB (Henrique Alves, Ismael Wanderley, Vingt Rosado e Antônio Câmara); 3 do PFL, hoje União Brasil (Flávio Rocha, Jessé Freire Filho e Iberê Ferreira); e Wilma, então Maia, do PDS. Era a expressão do conservadorismo local, visto que o PMDB era um “partido familiar”, liderado pelos Alves, que tinha como “adversário”, os Maia, que estavam espalhados no PFL e PDS.

Para se ter ideia do conservadorismo local, e de como os grupos de interesse e familiares, dominam essa bancada, só em 2002, 16 anos depois da redemocratização, é que uma política progressista conseguiu ser eleita: Fátima Bezerra.

De lá para cá, a “bancada” progressista continuou a mesma: apenas 1 deputado. Sendo que em 2014 o campo progressista chegou a perder a vaga. Em 2018 novamente uma mulher, Natália Bonavides, que é da Articulação de Esquerda, uma tendência esquerdista do PT, conseguiu ser eleita. E foi só.

Nas eleições desse ano as candidaturas de Natália, que tem usado habilmente sua situação de parlamentar, para angariar apoios, inclusive fora do PT, e de Fernando Mineiro, o grande injustiçado em 2018, e não apenas pela lerdeza do TSE, emergem como as favoritas e, caso o PT realize seu sonho de aumentar a bancada, certamente esses dois estarão lá.

Mineiro apresenta um extenso currículo e Natália expressa a “nova geração da esquerda”. Mas obviamente que a esquerda não tem só essas duas candidaturas e eu me reservo ao direito de apostar numa candidatura que, eu diria, expressa de maneira muito forte o que o RN.

A jovem Patrícia Santiago, estudante universitária e militante dos movimentos sociais desde a adolescência, é candidata a deputada federal. Para mim ela reúne algumas condições que me permitem votar nela.

Patrícia vem das camadas populares e até sua adolescência morava na pequena Carnaubais, um pequeno município do Oeste Potiguar (menos de 11 mil habitantes), localizada a 215 Km de Natal. Pobre, mulher e negra, Patrícia reúne todas as características que a tornam uma forte expressão da população proletária desse país.

Mas não é só isso. Patrícia milita nos movimentos sociais há muito tempo, fez parte do Movimento Estudantil e, portanto, participou de dezenas de lutas pela Educação. Hoje ela trabalha no governo do Estado, na sua área de atuação, e tem um olhar muito aguçado sobre três temas que são hoje a espinha dorsal dessa nação: educação, direitos humanos e economia.

Sendo estudante da UFRN viu, ao longo dos últimos anos, a instituição onde estuda definhar, muito em função dos cortes dos investimentos e, por isso Patrícia promete defender a pauta das universidades e institutos federais.

Sendo uma mulher e negra, seu olhar para os Direitos Humanos, passam pela sua própria vida e trabalho. São indissociáveis. Patrícia que levar o debate qualificado sobre homofobia, cotas, racismo, violência contra as mulheres e LGBTQI+, para o palco do parlamento.

Sendo oriunda das camadas mais pobres da população, Patrícia não descuida dos efeitos deletérios que os governos Temer e Bolsonaro causaram a esse país, especialmente aos jovens, que tem tido suas vidas destroçadas pelo desemprego e fome.

Patrícia é a face da juventude nessa eleição e poderá, quem sabe, ser uma boa companhia para que os mais experientes, como Mineiro, façam um excelente trabalho em Brasília.

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