TRANSPARÊNCIA

Empresários alvo da PF acusados de apoiar golpe de Estado têm negócios no RN

Dentre os empresários que defenderam um golpe de Estado no caso de vitória do ex-presidente Lula nas eleições deste ano e contra os quais foram cumpridos mandados de busca pela Polícia Federal na manhã desta terça (23), pelo menos dois possuem negócios no Rio Grande do Norte: Luciano Hang, da Havan e Marco Aurélio Raimundo, da Mormaii.

No site da empresa, a Havan anuncia a inauguração da loja que vai funcionar na Avenida Dão Silveira, no bairro de Candelária, em Natal, para breve, mas sem estabelecer uma data. Também não há estimativa de faturamento.

Luciano Hagan chegou a ter seu indiciamento proposto na CPI da Covid por incitação ao crime. Ele foi acusado de disseminar notícias falsas e tratamentos sem eficácia científica comprovada para tratar a covid-19. O empresário perdeu a mãe em fevereiro deste ano em decorrência da doença, no entanto, durante a CPI foi observado que a doença não constava no atestado de óbito da mãe.

Em junho, a instalação de uma réplica da Estátua da Liberdade norte-americana na fachada da loja, na entrada da cidade, às margens da BR-101, gerou debates nas redes sociais quanto à legalidade da peça.

À Folha de São Paulo, Hang confirmou fazer parte do grupo de whatsapp, mas negou intenções golpistas. De acordo com a revista Forbes, o empresário tem um patrimônio de R$ 14,3 bilhões. Hang foi flagrado no escândalo de sonegação fiscal conhecido como Pandora Papers, quando foi descoberto que ele manteve, por quase 20 anos, empresa em paraíso fiscal no valor de US$ 112,6 milhões, o equivalente a R$ 416 milhões de reais.

Já as peças da Mormaii, marca de roupas de surfe do empresário Marco Aurélio Raimundo, que também integra o grupo de empresários que defenderam o golpe, são encontradas no varejo tanto de Natal, no comércio de rua e shoppings, quanto de municípios do interior do Rio Grande do Norte.

Além de Hang e Marco Aurélio Raimundo, também integram o grupo de whatsapp formado por empresários que cogitaram um golpe de Estado, o dono da rede de shopping Multiplan, José Isaac Peres; o proprietário da Construtora W3, Ivan Wrobel; o dono do Barra World Shopping, José Koury; do Grupo Serra, André Tissot; da Tecnisa, Meyer Nigri; e o proprietário do Grupo Coco Bambu, Afrânio Barreira.

Petição

Na semana passada, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entrou com uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a investigação dos empresários bolsonaristas.

O documento previa a prestação de depoimentos, quebra de sigilo, bloqueio de contas e possíveis prisões preventivas.

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