DEMOCRACIA

Ex-candidato a prefeito troca PSOL por bolsonarismo e será candidato pelo PTB

Raimundo Nonato Sobrinho, o Cinquentinha, tem 10 candidaturas anotadas no currículo. Já disputou quatro pleitos pelo PT e mais quatro pelo PSOL, partido do qual foi fundador em Mossoró. Nos últimos anos, se desiludiu com a esquerda e abraçou partidos conservadores, sendo também candidato pelo DC e PRTB. Hoje, é um apoiador firme do presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, será candidato a deputado estadual pelo PTB de Roberto Jefferson e pretende defender voto em Bolsonaro e Styvenson Valentim, que ensaia uma candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte.

Embora tenha tido o início de sua trajetória dentro do PT, ele se notabilizou principalmente a partir do PSOL. “Quando eu disputei para vereador pelo PT, surgiram aquelas eleições de Lula, em que ele vinha tentando e na quarta vez foi eleito. Ao ser eleito, logo em seguida, aconteceram muitas mudanças de postura no PT. Os insatisfeitos, como Cinquentinha, Heloísa Helena, Sandro Pimentel, fundaram o PSOL”, explica, sobre sua entrada no partido socialista.

Pelo PSOL, concorreu a deputado estadual, prefeito duas vezes e vereador na última eleição pelo partido, em 2016. A saída do partido socialista veio em meio a uma fratura aberta dentro do diretório local. Cinquentinha e seu grupo político comandavam os principais cargos do partido e defendiam coligações com partidos de direita. 

Por outro lado, uma ala à esquerda defendia aliança somente com partidos tidos como ‘radicais’, como PCB e PSTU. Neste embate, Sobrinho foi um dos principais articuladores do apoio ao PSOL ao professor Josué Moreira, candidato a prefeito em 2016 pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC), hoje chamado apenas de DC.

Naquela eleição, Cinquentinha lançou sua filha como candidata a vice-prefeita. A chapa ficou em último lugar, com 1,04% dos votos. Moreira ganhou relevância em abril de 2020. Professor do IFRN – Campus Ipanguaçu e já alinhado ao bolsonarismo, ele foi conduzido à Reitoria do IFRN sem sequer ter concorrido ao cargo. O Ministério da Educação (MEC), à época, era comandado por Abraham Weintraub. 

A nomeação acirrou os ânimos de alunos e servidores, que protestaram meses à fio para que fosse feita a nomeação do reitor eleito, José Arnóbio. A intervenção só foi desfeita em dezembro de 2020, quando Arnóbio assumiu o cargo para o qual foi eleito com 48,25% dos votos válidos.

“Algumas pessoas filiadas ao PSOL começaram a perceber e estranhar meu comportamento, porque eu era muito mais de votar em pessoas e não em partidos. E eles não gostaram e fizeram uma pressão para eu deixar o PSOL. De certa forma, me sentindo pressionado, eu deixei”, relembra. 

Cinquentinha aparece com ex-deputdo Sandro Pimentel e ex-senadora Heloísa Helena, fundadores do PSOL | Foto: reprodução

Pessoas e não partidos 

Por isso, diz que seus votos sempre se basearam principalmente em pessoas, não em partidos. “Eu nunca fui muito partidário. Sempre votei em pessoas e continuo com esse pensamento. Não é questão de ser de esquerda ou de direita”, justifica. 

Com um conselho do irmão para valorizar “quem te valoriza”, rumou com Josué e foi para o DC, seu primeiro partido do espectro conservador e adotou o bolsonarismo. “Com essa orientação do meu irmão, eu resolvi votar em Bolsonaro, uma pessoa que eu não conhecia, até por algumas frases fortes dele, como “família acima de tudo, Deus acima de todos”, o patriotismo”. 

O período no Democracia Cristã foi curto. Em 2020, concorreu a vereador pelo PRTB, partido do vice-presidente da República Hamilton Mourão. Lá, passou também a reivindicar e apoiar o Aliança pelo Brasil, tentativa malsucedida de criação de um partido próprio empreendida por Bolsonaro.

Cinquentinha se vê satisfeito com a gestão do presidente, embora carregue pequenas divergências, segundo afirma. “Não tenho muitas decepções, apenas algumas coisas mal digeridas, como o centrão”, diz ele.  

Agora, filiado ao PTB de Roberto Jefferson, Cinquentinha teve seu nome homologado como candidato a deputado estadual na convenção do partido na noite desta quarta-feira (03) e pretende seguir com o presidente. “Eu continuo com Bolsonaro. As decepções com o PT e PSOL ao longo de 20 ou 30 anos foram maiores do que esses quatro anos com Bolsonaro. E mesmo assim, para governo voto com Styvenson. Isso eu não abro mão, porque quem decide minhas posições sou eu”, pontua. 

Uma curiosidade do candidato do PTB é o apelido, que ele diz ter recebido ainda na adolescência. “50” era seu número na chamada da escola, e ficou conhecido por isso. “O PSOL 50 veio muito depois. Foi uma coisa que casou em termos de chavão, mas não tem nenhuma relação com o 50 da sigla PSOL”.

 

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