DEMOCRACIA

Manifestação no Dia dos Estudantes lembra retrocessos vividos no governo Bolsonaro e critica ataques à democracia

Estudantes secundaristas, universitários, movimentos sociais e partidos políticos foram às ruas de Natal na manifestação do Dia do Estudante, comemorado nesta quinta-feira (11). Em Natal, o ato se concentrou na calçada do Midway Mall, a partir das 14h30, e caminhou até a Praça de Mirassol. 

Também nesta quinta, foi feita a leitura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!”, que defende a democracia brasileira contra as ameaças de golpe do presidente Jair Bolsonaro (PL). Além disto, a data marca os 85 anos da União Nacional dos Estudantes (UNE), comemorada pela vice-presidenta da entidade no Rio Grande do Norte, Stefany Kovalski. 

“É um dia muito simbólico pra gente que é jovem, que sempre defendeu a democracia, a liberdade, a educação. A gente espera ecoar pelo Rio Grande do Norte a voz dos estudantes, a voz da juventude e além de tudo a voz do povo brasileiro que acredita que é com democracia que a gente vai poder construir o país que a gente quer”, afirmou.

Embora os protagonistas do dia fossem os estudantes, a defesa do Estado Democrático de Direito reuniu diversos segmentos da sociedade, e até crianças a idosos. Um dos mais novos era Flávio Bezerra, 12, que foi junto com sua irmã, Luana, 20. “É muita emoção porque eu sempre queria estar aqui. Vejo minha irmã e sempre quero ficar perto dela e ajudar também”, disse Flávio.

O advogado Alberto Farias defendeu o enfrentamento ao governo Bolsonaro nas ruas. “É um momento em que a luta se faz necessária frente aos ataques do atual governo, que não cessam desde o momento que se constituiu até os dias atuais”, observou. “Com o aprofundamento da crise se faz necessário que a classe trabalhadora faça esse enfrentamento na rua e é na rua que a gente tem condições objetivas de derrotá-lo”.

Ao longo do trajeto, diversos parlamentares e candidatos compareceram para prestar apoio aos estudantes. Viaturas da Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e motos da Rocam acompanharam o deslocamento dos manifestantes. Segundo um agente da PRF, o esperado para o ato era de cerca de três mil pessoas, mas os organizadores não souberam estimar o quantitativo de presentes.

Os alunos federais também estavam na marcha. Adriane Moreira, coordenadora-geral da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (FENET), disse que “os estudantes sempre se colocaram como a ponta de lança na luta em defesa da educação pública”. Para ela, que é aluna do IFRN, é necessário “ocupar as ruas, porque se Bolsonaro quer que tenha golpe, a gente quer que tenha eleição”.

O protesto trouxe a Natal estudantes do interior, como Mossoró, e também da Região Metropolitana. Recém-eleito diretor de políticas educacionais da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e aluno de um CEEP em Extremoz, Arthur Santos falou da importância de “emancipar” o povo. “O governo Bolsonaro ataca diretamente as políticas públicas, visando as minorias, então a gente tá aqui pra mostrar que a gente não aguenta mais viver no meio do retrocesso”.

Foto: Valcidney Soares

Carta aos brasileiros

A manifestação dos estudantes aconteceu no mesmo dia da leitura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!”, documento lançado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em resposta a ameaças à democracia feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). A carta atual é inspirada na Carta aos Brasileiros de 1977, assinada por intelectuais, políticos, líderes religiosos e sociedade civil contra os arroubos da ditadura militar brasileira.

A nova carta foi lançada em 26 de julho e tem, até esta quinta-feira (11), quase um milhão de signatários, sendo lida em várias cidades do país. Em Natal, o Sindicato dos Professores da UFRN (ADURN-Sindicato) realizou um ato simbólico com a leitura da carta feita por docentes. 

Ao longo do texto, o manifesto lembra a proximidade das eleições e os ataques feitos por Bolsonaro ao sistema democrático e eleitoral. O presidente costumeiramente levanta questionamentos e mentiras sobre a segurança das urnas eletrônicas. “Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”, aponta.

Citando os “ataques infundados e desacompanhados de provas” que questionam o processo eleitoral, a carta menciona os recentes “desvarios autoritários”, numa referência a Bolsonaro, e defende unidade de ação contra os ataques à democracia. “Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática”, defende o manifesta.

“No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições”, diz outro trecho.

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