DEMOCRACIA

Nas redes, Fábio Faria assume posto de “influencer político” em campanha para Bolsonaro

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PL), vem assumindo o posto de “influencer” nas redes sociais para buscar reeleger o presidente Jair Bolsonaro, também do PL. Com uma perfil principal no Instagram que soma mais de 752 mil seguidores, Faria, que é filho do ex-governador Robinson, tem dividido as publicações na rede entre propaganda e reuniões sobre o 5G e posts favoráveis ao presidente, além de críticas à imprensa.

Só de segunda-feira (22) até esta quarta (24), o ministro potiguar fez 19 publicações na rede social. Destas, 15 tiveram referências diretas ou indiretas ao presidente. A segunda-feira foi o dia em que Bolsonaro concedeu uma entrevista ao Jornal Nacional, que virou alvo do ministro por, segundo ele, os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos terem sido “arrogantes e debochados” na conversa com o presidente.

Nesta tarde, por exemplo, o ministro gravou um vídeo em que comparou as entrevistas no JN de Bolsonaro e de Ciro Gomes, que passou pela bancada na noite anterior. Faria criticou a diferença de tempo cada para os dois convidados, as interrupções dos apresentadores para novos questionamentos e citou um “tom debochante, as caretas, o tom arrogante com o presidente Bolsonaro”. Ao longo do mês, de 24 de junho a 24 de agosto, foram 103 publicações ao todo, sendo 35 com referências a Bolsonaro. Ou seja, das referências dos últimos 30 dias, 42% foram feitas só de segunda até esta quarta.

Atraso no 5G

À frente das Comunicações, Fábio adotou como principal bandeira a instalação da tecnologia 5G no país. A rede deveria chegar em Natal em setembro, mas foi adiada junto com outras 14 capitais por causa de atrasos na importação de equipamentos necessários para a instalação desse tipo de internet. A instalação pode demorar dois meses. Com a prorrogação, a previsão é que o 5G esteja disponível em Natal e nas outras capitais até 27 de novembro.

Fábio Faria é deputado federal e se licenciou do mandato em 2020 para assumir o cargo no Ministério das Comunicações. Até este ano, ele dividia com Rogério Marinho, da pasta de Desenvolvimento Regional, o posto de representantes potiguares no primeiro escalão do governo, mas Marinho foi exonerado em março para concorrer às eleições ao Senado. 

Já Fábio vem de quatro eleições seguidas em que concorreu e foi eleito para o mandato de deputado federal, sendo a primeira disputa em 2016 e a última em 2018. Neste ano, ocupando o cargo de ministro e tendo o pai, o ex-governador Robinson Faria, sem mandato, Fábio deixou a tentativa de reeleição de lado e colocou seu pai para sucedê-lo na Câmara.

Disputa no bolsonarismo

Antes de desistir da reeleição e colocar seu pai no lugar, porém, o ministro enfrentou um embate dentro da própria base bolsonarista. Ele era pré-candidato ao Senado junto com Marinho e disputava o lugar de representante do bolsonarismo no Rio Grande do Norte, além do apoio da máquina federal. 

A postulação era uma tentativa de sobrevida eleitoral de Fábio, que já vinha se desgastando e perdendo votos a cada eleição para a Câmara. Em 2018, ele recebeu 70.350 votos, menos da metade dos 166.427 votos que conquistou em 2014, quando foi o terceiro candidato mais votado. O acirramento vinha desde junho do ano passado, mas Faria não teve fôlego suficiente e Rogério Marinho assumiu de vez o lugar como pré-candidato a senador. 

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