DEMOCRACIA

Prefeito Álvaro Dias admite voto em Bolsonaro e se esquiva de apoio para Governo do RN

O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), confirmou que votará em Jair Bolsonaro (PL) para a reeleição à Presidência da República. Na justificativa, o prefeito citou ajudas em recursos para a capital que foram concedidas pelo presidente. A declaração foi dada em entrevista à rádio 91.9 FM. Na mesma conversa, ele declarou mais uma vez apoio ao ex-ministro Rogério Marinho (PL) para o Senado e se esquivou de declarar apoio para o Governo do Rio Grande do Norte.

“Eu vou votar em Bolsonaro. Da mesma forma que vou votar em Rogério Marinho, não posso deixar de votar no presidente Bolsonaro. Todas as vezes que eu solicitei recursos para fazer obras em favor de Natal, ele realmente nos atendeu da melhor forma possível. Não posso deixar de dar o voto de gratidão e reconhecimento pelo que ele me ajudou a fazer pela cidade de Natal”, disse o prefeito.

O prefeito já flertava com o bolsonarismo desde antes. Durante a fase mais grave da pandemia, a prefeitura distribuiu ivermectina para tratamento preventivo contra a Covid-19, mesmo sem o medicamento ter eficácia comprovada contra a doença. 

Em um decreto publicado em 2020, Dias — que é médico — determinou que a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS Natal) providenciasse o “kit de medicamentos aos pacientes infectados pela covid-19 que possuam receita médica com a indicação de tratamento com tais fármacos como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina ou outros fármacos que venham a ser liberados e preconizados pelo Ministério da Saúde”.

A insistência em tratamentos sem eficácia levou o senador Jean Paul (PT-RN) a denunciar, em janeiro de 2021, o prefeito Álvaro Dias ao Ministério Público do Rio Grande do Norte por recomendar o uso de ivermectina em entrevistas. O juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública Cícero Martins de Macedo Filho proibiu a prefeitura de Natal de fazer propaganda do antiparasitário como medicamento preventivo no combate a covid-19. O magistrado também determinou que o município retirasse o remédio do protocolo de tratamento contra o novo coronavírus elaborado pela SMS.

Governo estadual

Questionado sobre quem deverá votar para a sucessão estadual, Álvaro Dias se esquivou mais de uma vez, tanto de declarar apoio quanto de fazer uma leitura do quadro de candidatos, justificando que tem pensado mais na “gestão” do que em “política”. Mesmo sem cravar um voto para o governo do RN, o prefeito afirmou que tem “divergências com os três candidatos mais competitivos”, se referindo a Fátima Bezerra (PT), Styvenson Valentim (PODE) e Fábio Dantas (SD). “Eu tenho dificuldade de escolher um desses três, ou me comprometer com qualquer um deles para apoiar”, disse.

Apesar de falar que está focado na “gestão” e nas obras em Natal, ao invés da política partidária, Álvaro Dias esteve presencialmente na convenção do PL que homologou a candidatura de Marinho a senador e fez um discurso em favor do ex-ministro. Na entrevista à 91.9 FM, ele reafirmou seu apoio ao candidato bolsonarista e o atribuiu às liberações de recursos que Rogério Marinho teria dado ao RN. 

“Rogério Marinho foi ministro de Desenvolvimento Regional. Nós, várias vezes, batemos na porta de Rogério para ajudar na liberação de recursos, na formulação de novos convênios, e sempre que nós procuramos, ele foi solícito, atendeu as solicitações, procurou ajudar a encaminhar, facilitou a liberação de recursos”, afirmou.

Sobre Carlos Eduardo (PDT), de quem foi vice-prefeito de Natal e alçado à cadeira principal quando Carlos renunciou para disputar o Governo em 2018, Álvaro Dias afirmou que não está rompido com o pedetista.

“Não rompi com Carlos Eduardo politicamente. Eu apenas discordo politicamente do caminho que ele seguiu. Ele não me consultou, realmente tomou uma decisão unilateral e foi fazer parte de outro grupo político, divergente do meu, como candidato ao Senado e sabendo desde já que eu tinha assumido compromisso com Rogério Marinho”, declarou.

Mesmo negando o rompimento, Dias exonerou a assistente social Andréa Ramalho Alves, esposa de Carlos Eduardo, do cargo de secretária municipal da Mulher. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município em 1º de junho deste ano.

Andréa foi às redes e se queixou. Em um vídeo, a ex-primeira dama diz que foi “surpreendida” com a exoneração e que não foi comunicada do desligamento. “Eu lamento profundamente a forma desrespeitosa como tudo isso aconteceu, como foi conduzido. Mas é assim, através de gestos, que as pessoas se revelam e mostram quem são”.

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