OPINIÃO

Quando um não quer…

A liberdade de expressão nunca foi tão citada como nos últimos tempos. De repente, não mais que de repente, tudo no Brasil passou a ser liberdade de expressão. Nunca, um princípio tão essencial à harmonia e a convivência pacífica entre diferentes foi tão utilizada como plataforma de permissão a situações que fogem completamente do real valor desse princípio tão caro a democracia.

Nesses tempos de campanha eleitoral, quando o cidadão tem a oportunidade de debater as grandes e graves questões de seu estado e do País, analisar criteriosamente os candidatos que lhe aparecem, conhecer com mais propriedade o que pensam e suas propostas, o que estamos vendo não é nada disso que se espera, e sim, uma avalanche de informações e contrainformações que em nada tem ajudado o eleitor a firmar opinião.

Pelo contrário, o desrespeito de alguns políticos mais extremistas, campeões em desinformação, com ataques a justiça e ao sistema eleitoral em nome da liberdade de expressão, por exemplo, tem provocado muito mais a fragilização e a desconfiança de parte do eleitorado, que continua assistindo a uma guerra de narrativas, do que contribuído de maneira eficiente para a construção de um debate plural e que oportunize ao eleitor, pensar diferente desse modelo arcaico e de poucos benefícios para quem realmente interessa: a população.

A partir da ascensão de uma direita extrema com candidatos que se apresentaram não com programas, mas com promessas de salvação de inimigos imaginários e superficiais, o Brasil entrou numa rota confusa e distorcida, levando a sociedade a uma divisão de espaços e provocando uma desestruturação de valores fundamentais. Sem falar, no incentivo a uma guerra de versões entre bolhas que continua beneficiando a uns poucos em detrimento da imensa maioria que continua a sofrer com as ausências: de preços baixos, de educação de qualidade, de saúde básica e tantas outras.

A polarização política é salutar quando a disputa passa ser das ideias, dos programas e propostas concretas. Mas, infelizmente, o que assistimos nesse momento, é uma permanente tentativa de desestabilização social, de desmobilização das nossas instituições e da tentativa de se manter em estado permanente, a tensão social. O que esperamos é um ambiente em que a tranquilidade seja pilar para a efetiva manutenção e o fortalecimento das bases democráticas.

Há um velho ditado que afirma que o povo tem o governante que merece. Essa é uma verdade incontestável, mas atribuir somente ao povo a responsabilidade pelos descaminhos que enfrentamos, é uma tremenda injustiça. Afinal, ainda que continuemos não sabendo votar, como profetizou o rei Pelé há algumas décadas, há uma parcela significativa que tem tentado mudar para melhor a representatividade política do nosso amado Brasil. E aí, vale a força da juventude. É nela que se deposita as maiores esperanças de um futuro melhor.

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