ENTREVISTA

Com “exército de formiguinhas”, Marleide Cunha quer chegar à Assembleia para defender serviço público e educação inclusiva

“Eu sou professora como Fátima e sindicalista como Lula”. Assim se define Marleide Cunha, vereadora de Mossoró pelo PT e que agora concorre a uma vaga como deputada estadual. Figura conhecida do movimento sindical da educação na capital do Oeste (“sempre liderei greves, fiz ocupação da Prefeitura…”), Cunha se notabilizou à frente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum). Como liderança da categoria, chegou até a ser eleita “persona non grata” pelos vereadores governistas, à época em que enfrentava o governo Rosalba Ciarlini. Marleide foi a entrevistada desta segunda-feira (12) do programa Balbúrdia e falou sobre sua trajetória e propostas caso seja eleita deputada estadual.

Segundo a vereadora, ela sempre foi estudante e trabalhadora durante toda a vida, e por isso se diz contra as injustiças sociais. “Não é possível que a gente consiga viver numa sociedade onde uns tem tanto e outros estão morrendo de fome. É impossível viver numa sociedade onde eu estou numa sala de aula e vejo uma criança desmaiando de fome”, afirmou a pedagoga.

Caso chegue à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte em 2023, disse que o trabalho será uma continuidade do que já faz em Mossoró, e vai atuar a favor dos sistemas de ensino. Um foco será com as crianças que possuem deficiências. As escolas, afirmou, “precisam se preparar, ter políticas públicas para as crianças que estão chegando nas escolas no espectro autista”. De acordo com a docente, “a Lei da Inclusão garante que esses estudantes tenham acesso às estratégias de ensino-aprendizagem que estejam de acordo com suas habilidades, capacidades sensoriais, motoras, cognitivas, e a gente não vê isso nas escolas”, criticou.

Ela ainda rebateu os discursos que afirmam que falta formação aos professores. “Falta sabe o quê? Estrutura, profissionais para atender essas crianças. Os professores numa sala com 30 crianças com 4 autistas, outros com outras deficiências, e a professora sozinha não dá conta. É preciso que políticas públicas olhem para esse público que está chegando à escola”, pontuou.

Por sua trajetória, Marleide afirmou que é uma defensora do serviço público, que atenda às populações carentes.  “A gente precisa de um Estado forte, não mínimo, porque o Estado já é mínimo na periferia, na zona rural, quando vou e vejo as pessoas sem ter o que comer, voltando a cozinhar à lenha”, lamentou.

Formada na Uern, também quer trabalhar em prol da universidade. “A Uern é o que chega no interior, é o que dá aos filhos dos trabalhadores e trabalhadoras a condição de acessarem o ensino superior na região onde vivem”, comentou.

Professora “do chão da escola”, como afirmou, Marleide foi eleita vereadora em 2020 mesmo sem constar entre as favoritas. Por conta disso, disse que a vitória foi graças a um “exército de formiguinhas” que a ajudou na campanha, e que ela conta novamente com a parceria neste ano. Dentre outras lutas, ainda é defensora da ocupação da política pelas mulheres.

“Esse é o meu propósito de estar na política: defender a vida com dignidade. Eu falo isso doa a quem doer, vou pra luta porque faço isso com consciência e combato as desigualdades sociais. Para isso a gente precisa ter representação política, um Estado forte para que as pessoas possam ser vistas como pessoas de direito”, asseverou.

Assista a entrevista na íntegra:

 

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