TRANSPARÊNCIA

Filha de Beth Carvalho diz que vai processar ministro Fábio Faria por uso indevido de música da mãe em vídeo bolsonarista

Beth Carvalho I Foto: reprodução

A filha da cantora e compositora Beth Carvalho, Luana Carvalho, anunciou em suas redes sociais que vai processar o ministro das Comunicações, Fábio Faria, por ter usado a canção gravada por sua mãe “Vou Festejar”, sem autorização, para promover vídeos bolsonaristas. A música é de autoria de Jorge Aragão, mas se tornou conhecida na voz de Beth Carvalho. Luana também pede para que as pessoas denunciem a utilização indevida da canção.

Aqui a prova do uso indevido da história de minha mãe, sua voz, sua luta, por bolsonaristas a favor de tudo q ela era contra. Isso é de um desrespeito q não deixarei acontecer”, comentou Luana ao fazer referência a um vídeo postado pelo ministro potiguar Fábio Faria.

Ministro Fábio Faria I Foto: reprodução
Ministro Fábio Faria I Foto: reprodução

Beth Carvalho era considerada madrinha do samba. Ela morreu aos 72 anos, no dia 30 de abril de 2019, depois de ficar internada desde o início do ano no Hospital Pró Cardíaco, em Botafogo, Rio de Janeiro. Beth Carvalho faleceu em decorrência de uma infecção generalizada.

A sambista sempre se posicionou politicamente e era uma das grandes lideranças da esquerda. Apesar da mobilidade reduzida por causa de um problema de coluna, chegou a participar de vários eventos em defesa da libertação do ex-presidente Lula, entre eles, o Festival Lula Livre, realizado em 2018.

Post de Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho I Imagem: reprodução
Post de Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho I Imagem: reprodução
Post de Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho I Imagem: reprodução
Post de Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho I Imagem: reprodução

De pai para filho…

Robinson Faria I Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em abril deste ano, o ex-governador Robinson Faria (PL), pai de Fábio Faria, foi cobrado pela Justiça da Bahia por uma dívida que remonta a 2018, por uso de uma música sem pagamento de direitos autorais durante a campanha para governador à qual concorreu em 2014.

O processo já foi transitado em julgado, mas, apesar do alto padrão de vida de Robinson, o setor de penhora online da justiça da Bahia não conseguiu encontrar nenhum valor nas contas bancárias do ex-governador para quitar a dívida que já ultrapassava os R$ 9 milhões. O montante não havia sido pago até a tarde desta segunda (12) e nenhuma justificativa havia sido apresentada à justiça.

O processo contra Robinson Faria foi iniciado em 2015 e em 2018 a justiça determinou que ele pagasse multa por danos morais no valor de R$ 40.000,00 a José Edmundo da Silva Almeida e mais R$ 40.000,00 a Carlos Pita, músicos baianos autores da conhecida música “Cometa Mambembe”.

A ação foi movida por José Edmundo, que é mais conhecido artisticamente como “Edmundo Carôso”; por Carlos Pita e pela gravadora Sony Music PUBLISHING (BRAZIL) EDIÇÕES MUSICAIS LTDA.

Robinson se elegeu utilizando irregularmente a música e infringindo a lei de direitos autorais durante a campanha eleitoral de 2014, quando concorreu ao cargo de governador do Rio Grande do Norte. Além de Robinson, também são citados como réus no processo o PSD (Partido Social Democrático) do RN, partido ao qual o ex-governador estava associado na época, e a Ecopropaganda e Marketing ME.

A acusação destaca que além dos réus não terem pago pela utilização da composição, os autores de “Planeta Mambembe” foram prejudicados à medida que a música foi utilizada sem a autorização dos compositores, com modificações na letra para adaptá-la a jingle de campanha política, “sem que os compositores da obra musical ao menos tivessem a oportunidade de se manifestar sobre a conveniência de ter sua criação intelectual vinculada a essas figuras políticas e ideologias partidárias”.

Além das multas, os réus também ficaram obrigados a divulgar a verdadeira autoria da obra (de “Edmundo Carôso” e “Carlos Pitta”), com destaque, por três vezes consecutivas, no Jornal A TARDE, periódico de grande circulação do domicílio dos autores da ação.

A música original tinha a seguinte letra:

“Quando a estrela brilhar na cabeleira e o galope acordar na beira-mar…”

Para o jingle da campanha, a equipe de Robinson fez uma pequena adaptação:

“Quando a estrela brilhar tenho certeza com a vitória do povo potiguar”.

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