Justiça diz que servidor público do RN atua como jornalista internacional e o condena a indenizar em R$ 25 mil Raquel Dodge por ofensa
Natal, RN 15 de jun 2024

Justiça diz que servidor público do RN atua como jornalista internacional e o condena a indenizar em R$ 25 mil Raquel Dodge por ofensa

6 de setembro de 2022
4min
Justiça diz que servidor público do RN atua como jornalista internacional e o condena a indenizar em R$ 25 mil Raquel Dodge por ofensa

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A condenação do jornalista potiguar Ailton Medeiros por danos morais à ex-procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, foi mantida pela 7ª turma Cível do TJ/DF, em decisão publicada na segunda-feira (5). Ele deve pagar indenização de R$ 25 mil por danos morais e arcar com custas processuais e honorários advocatícios, arbitrados em 10% do valor da condenação, além de publicar a sentença, nos mesmos meios de comunicação e com o mesmo destaque da ofensa.

O valor foi fixado considerando que Ailton atua como jornalista em Nova Iorque e Paris. Mas o potiguar vive em Natal, onde, na verdade, é servidor público estadual da Secretaria de Educação; o último emprego como jornalista foi em 2007, no extinto Jornal de Hoje; e desde a década de 1990 não sai do Brasil nem a passeio.

Acontece que Ailton tinha na bio do seu perfil @blogdoailton no Twitter “Rio de Janeiro, Nova Iorque e Paris” por gostar e admirar essas metrópoles. Atualmente, a localização é “Marte e Júpiter”.
“Foi uma sentença equivocada e desproporcional. Respeito a Justiça, mas preciso recorrer e mostrar que não tenho condições de pagar esse valor, porque tenho uma única renda e um salário que mal dá pra pagar minhas contas. Nunca fiz nenhuma viagem como jornalista para qualquer outro estado. Nunca exerci a profissão fora do RN e fora do Brasil. Tenho documento da Polícia Federal atestando isso”, justificou Medeiros.

O processo

De acordo com o processo, de 2018, o potiguar publicou uma foto de Dodge e postou a seguinte frase do dramaturgo Bertold Brecht: “a cadela do fascismo está sempre no cio. Depois, passou “a usar a palavra cadela para se referir concretamente à autora, como alcunha injuriosa e degradante ao gênero feminino", da seguinte forma: "a cadela do @MPF_PGR" referindo-se ao perfil oficial da Procuradoria-Geral da República.

Ailton alega que a expressão não tinha o objetivo de macular a honra e a imagem de Raquel Dodge ou de depreciar as mulheres, como entendeu a Justiça. O potiguar lembra outras vezes que usou as palavras de Brecht.

“É uma frase política, muito conhecida e citada em vários textos de sociólogos e comentaristas políticos. Mas por ela ser mulher foi tido como um fato misógino. Eu já tinha usado essa mesma frase com relação ao general Villas Bôas”.

As publicações foram motivadas por eventual aproximação de Dodge a Bolsonaro pós-eleição. A ex-PGR também se posicionou contra a suspensão da condenação de Lula, mais tarde anulada pela Justiça.

Foto: Pedro Ladeira/ Folhapress

“A minha crítica à então procuradora não foi misógina, foi com relação à postura de se aproximar ao governo Bolsonaro e por ter feito considerações a respeito de Lula, que estava sendo perseguido pela Justiça - coisas que não correspondiam ao cargo que ela ocupava”, argumenta o potiguar, ao acrescentar que milita desde os 16 anos e sempre apoiou o movimento feminista.

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