DEMOCRACIA

Lula lidera no Nordeste com palanques estaduais fortes e preferência entre os mais pobres

O ex-presidente Lula (PT) segue à frente nas pesquisas de intenção de voto no país, com destaque para o Nordeste. A última rodada de pesquisa Datafolha mostrou o petista com 62% das intenções de voto, ante 24% de Jair Bolsonaro (PL). Numa região que concentra 27% do eleitorado brasileiro, a marca acena para cerca de 26 milhões de votos para Lula só no Nordeste, enquanto Bolsonaro tem menos de 11 milhões. A maioria pró-Lula é de quase 16 milhões de pessoas aptas a votar no 2 de outubro, que pode ser o fiel da balança para a definição da eleição já no primeiro turno. 

Historicamente, o Nordeste é uma região favorável ao PT. Na primeira eleição de Lula, em 2002, o petista venceu em 26 estados e no Distrito Federal. Só Alagoas deu vitória à José Serra (PSDB). Em 2006, a disputa foi mais acirrada. Tendo o seu atual candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSDB) como adversário, Lula ganhou em 16 estados, enquanto o ex-governador de São Paulo venceu em 10 e no Distrito Federal. Ainda assim, Lula foi vitorioso em todos os estados do Nordeste, com bom desempenho também no Norte. 

Com Dilma Rousseff representando o PT nas corridas presidenciais de 2010 e 2014, o PT novamente venceu em todos os estados nordestinos. Em 2018, quando Lula foi impedido de disputar as eleições e Fernando Haddad levou o programa petista à frente, Bolsonaro venceu a eleição, mas sofreu a única derrota justamente no Nordeste: 69,7% a 30,3%.

Segundo o Datafolha, além da ampla margem de vitória no Nordeste, o petista também vence no Norte (42% a 36%), Sudeste (41% a 36%) e Sul (40% a 39%). A única região a apontar vitória para Bolsonaro é no Centro-oeste, onde os dois principais candidatos aparecem empatados dentro da margem de erro. Bolsonaro tem 41% e Lula, 38%.

Nacionalmente, o Datafolha apontou Lula com 47% e 14 pontos à frente de Bolsonaro. Nos votos válidos, o ex-presidente bateu a casa dos 50%, o que o levaria à vitória já no primeiro turno. Em relação à última pesquisa, divulgada em 15 de setembro, o petista registrou um crescimento de três pontos percentuais — acima da margem de erro, que é de 2% —, enquanto o atual presidente subiu dois — dentro da margem.

Palanques estaduais

Com a tendência de mudança na presidência e de volta de Lula ao Planalto a partir de 2023, o ex-presidente tem costurado palanques nos estados e capilarizado ainda mais seu nome. A força de Lula pode ser medida nas recentes pesquisas eleitorais realizadas nos nove estados do Nordeste.

Em Alagoas, a chapa apoiada por Lula e o PT tem 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Na Bahia, o candidato do PT ao governo estadual, Jerônimo, está em segundo, mas vem experimentando uma rápida subida nas últimas semanas. Jerônimo era um nome técnico do governo Rui Costa, sem experiência em eleições. Chegou às eleições ainda desconhecido da população e enfrentando o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UNIÃO). Nos últimos três levantamentos do Datafolha, Neto caiu de 54% para 48%. Já Jerônimo quase dobrou a pontuação, indo de 16% em 24 de agosto para 31% em 21 de setembro.

Outro nome que chegou às eleições sem forte visibilidade, Elmano de Freitas (PT) é o nome de Lula e do ex-governador Camilo Santana (PT) para comandar o Governo do Ceará. Freitas já ocupou o terceiro lugar na primeira pesquisa Ipec no estado. Hoje, lidera com 30% à frente do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), e do bolsonarista Capitão Wagner (UNIÃO).

No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) também caminha sem preocupações para um segundo mandato na Governadoria. Dos nove estados nordestinos, o PT participa da coligação que lidera as pesquisas até o momento em quatro. Além disso, há os casos de Paraíba e Pernambuco, onde o PT apoia outras chapas, mas os atuais líderes depositam voto no petista para a presidência. Ou seja, ele tem palanque aberto nos atuais líderes de intenções de voto de seis dos nove estados. 

Liderança entre mais pobres

Outro indicativo importante para Lula é o seu desempenho entre os estratos sociais mais pobres da população. Segundo a Datafolha desta quinta-feira (22), o petista registra 57% das intenções de voto entre as pessoas que têm renda familiar mensal até dois salários mínimos, contra 24% de Bolsonaro.

A partir de dois salários, até 10, a liderança é do atual presidente. Mas, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em junho, a população do Nordeste é a que tem o menor rendimento médio mensal domiciliar per capita, com apenas R$ 843. O valor, portanto, está dentro do estrato que beneficia Lula.

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