OPINIÃO

Mais um 7 de setembro de teste para a democracia e para os nervos

Por Cefas Carvalho

Nesta terça-feira, 6 de setembro, todos os que prezam pela democracia e não estão alienados da realidade e do grupo fascista que se encontra no Governo Federal estão se perguntando o que nos reserva esse 7 de setembro. Se antes de 2019 a data era marcada pelo feriadão que nos garantia desfile cívico-militar para uns e praia e churrasco para outros, que Jair Bolsonaro se tornou (des)presidente, o Dia da Independência é marcado por insinuações de golpe, ataques às instituições e tentativas de fechar o STF. Há três anos, esperamos o 7 de setembro com tensão, sabendo que vamos nos deparar com o fascismo empoderado em sua vertente mais agressiva.

Neste ano de 2022 não é diferente. Na verdade, é bem pior. Em pleno bicentenário da Independência, em vez de celebrarmos, patriótica ou criticamente, os 200 anos que D. Pedro I deu o tal “grito do Ipiranga” estamos na expectativa do que Bolsonaro vai nos oferecer nesta data, faltando menos de um mês para uma eleição presidencial onde ele está bem atrás de Lula em todas as pesquisas de intenção de voto. Ou seja, com medo de não ser reeleito. E ficar sem mandato a partir de 2023, ou seja, pela primeira vez em 28 sem foro privilegiado, portanto, passível de condenação e prisão comum.

Portanto, a pergunta de hoje: um Bolsonaro com imensas possibilidades de derrota eleitoral, acuado, com medo, será capaz de quê? Ele vai aproveitar as movimentações de militares saudosos da ditadura e dos seus fanáticos para, mais uma vez e de maneira ainda mais forte, atentar contra a democracia, as instituições, o STF? Ou, pelo contrário, vai ser eufêmico para sua plateia e “pegar leve” para não se complicar ainda mais?

Não era para ser assim. A verdade é que as instituições que hoje defendem com unhas e dentes as urnas eletrônicas e o estado Democrático de Direito (STF, TSE, associações de classe, presidente do Senado Rodrigo Pacheco) são os mesmos que “pegaram leve” com o “mito” ao longo dos anos e ajudaram a chocar o ovo da serpente. Resta agora correr atrás do prejuízo, para usar um jargão popular.

Todas as instituições citadas sabem que amanhã, 7 de setembro, será um teste. Para a democracia brasileira, que tanto vem sendo agredida. Para as eleições, afinal, Bolsonaro tenta “melar” o pleito há tempos. Para nossos nervos e nossa paciência, já “passados na casca do alho” ao longo desses últimos quatro anos.

Resta a nós esperar o bloco dos fascistas mostrar qual sua disposição para a data, já que para o bolsonarismo, “Independência” é sabujice aos EUA e bandeiras de Israel, além da habitual celebração das armas, da truculência e o combate ao “comunismo”, fantasma que inventaram para justificar o ódio a qualquer tipo de justiça social e igualdade. Enfim, todos de olho no noticiário e nas redes sociais: vamos ver se Jair só faz uma firula para seu público fiel e evita trombar com as instituições ou se decide queimar os navios de vez.

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